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Trocas Brasil-Venezuela desabam sob Maduro: exportações caem de US$ 4,8 bi para US$ 751 mi

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Em doze anos de governo Nicolás Maduro, capturado no sábado por tropas de elite norte-americanas em Caracas, a Venezuela deixou de ser um dos principais destinos das vendas externas brasileiras. O país vizinho, que em 2013 ocupava a 7ª posição entre os maiores compradores do Brasil, aparece agora em 52º lugar, com importações de US$ 751 milhões entre janeiro e novembro de 2025, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em 2013, as compras somaram US$ 4,8 bilhões.

Agronegócio sente o maior impacto

Mais da metade das exportações brasileiras para a Venezuela era formada por produtos do agronegócio. Em 2013, o setor respondeu por US$ 2,6 bilhões das vendas, cifra que chegou ao pico de quase US$ 3 bilhões em 2014, quando o mercado venezuelano foi o 4º maior destino das exportações agropecuárias do Brasil.

Desde então, o recuo foi generalizado. As remessas de carnes, animais vivos e laticínios despencaram de 364,3 mil toneladas em 2013 para apenas 5,2 mil toneladas em 2025, queda de 98,6%. O faturamento do segmento caiu de US$ 1,3 bilhão em 2014 para US$ 13 milhões em 2024.

Quedas extremas por produto

Carne de frango: de 200 mil toneladas (2014) para 927 toneladas (2024), recuo de 99,5%.

Carne bovina: de 160,3 mil para 723 toneladas no mesmo período, retração de 99,5%.

Animais vivos: de 248,3 mil para 25 toneladas (-99,9%).

Leite e derivados: de 39,2 mil para 2,2 mil toneladas (-94,3%).

Commodities menos processadas ganham espaço

Enquanto itens de maior valor agregado encolhiam, produtos básicos avançaram na pauta. Entre 2013 e 2025, as exportações de cereais aumentaram 162,5%; as de óleo de soja, 718%; e as de preparações à base de cereais, 183,6%.

Importações brasileiras também minguam

O fluxo caiu nos dois sentidos. As compras brasileiras da Venezuela somaram US$ 422 milhões em 2024, ante US$ 1,18 bilhão em 2013 – retração de 64,2%.

No início da década, derivados de petróleo respondiam por 78% do total importado, num volume de US$ 925,8 milhões. Em 2024, fertilizantes assumiram a liderança, com US$ 168,1 milhões, seguidos por alumínio e derivados (US$ 105,3 milhões) e álcoois (US$ 67,8 milhões).

Petróleo perde espaço após colapso da produção

Dona da maior reserva comprovada de petróleo do planeta, a Venezuela produzia 3,4 milhões de barris por dia entre 2005 e 2008. O volume caiu à mínima de 664,8 mil barris/dia em 2021 e se recuperou para 960 mil barris/dia em 2024, ainda 64,3% abaixo dos 2,7 milhões de barris/dia registrados em 2014.

Problemas de pagamento e ruptura de acordos

Além da crise econômica venezuelana, o comércio bilateral foi afetado pela mudança na política externa brasileira após o impeachment de Dilma Rousseff. Em 2017, o Banco Central suspendeu operações com a Venezuela no Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR) devido a atrasos frequentes. Entre 2017 e 2018, o Tesouro Nacional arcou com R$ 1,38 bilhão em calotes pelo Fundo Garantidor de Exportações. Em abril de 2019, já no governo Jair Bolsonaro, o BC retirou-se do CCR, citando a Venezuela como principal motivo.

A conjugação de queda na produção de petróleo, sanções internacionais e dificuldades de pagamento explica o encolhimento de um intercâmbio que já foi estratégico para empresas brasileiras, sobretudo do agronegócio.

Com informações de Gazeta do Povo