São Paulo, 04 de fevereiro de 2026 – O Grupo Fictor, holding do setor de alimentos, entrou com pedido de recuperação judicial depois que a liquidação do Banco Master desencadeou uma retirada de aproximadamente R$ 2 bilhões por parte de investidores.
Como a crise começou
A Fictor havia anunciado a aquisição do Banco Master. Apenas um dia depois, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira. O golpe na credibilidade provocou uma corrida de saques nas aplicações administradas pela holding, que não dispunha de caixa suficiente para honrar os resgates.
Impacto imediato nas finanças da holding
Sem acesso aos recursos, a empresa recorreu à Justiça para renegociar dívidas que ultrapassam R$ 4 bilhões. O pedido de recuperação foi protocolado para tentar evitar a insolvência e assegurar a continuidade das operações.
Modelo de captação sob pressão
Os casos Master e Fictor expõem um formato de financiamento que ganhou força no Brasil após a redução do crédito subsidiado pelo governo. Diversas companhias passaram a captar recursos diretamente com investidores, por meio de estruturas complexas – como fundos e sociedades – que operam com menos fiscalização que os bancos tradicionais.
O papel das Sociedades em Conta de Participação
Entre essas estruturas está a Sociedade em Conta de Participação (SCP). Nela, a empresa denominada “sócia ostensiva” toma decisões e administra o negócio, enquanto os “sócios ocultos” apenas aportam capital. O risco aumenta quando esses veículos levantam grandes somas junto ao público em geral, prometendo retornos fixos.
Fiscalização questionada
Críticos afirmam que o Banco Central tinha conhecimento, desde 2024, de que o Master não mantinha os níveis mínimos de capital exigidos, mas só interveio quando a situação já era insustentável. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável por monitorar o mercado de capitais, também é apontada como sobrecarregada diante da proliferação de operações cada vez mais sofisticadas.
Repetição de velhos problemas
Especialistas comparam o modelo atual a esquemas investigados na Operação Lava Jato. A diferença, destacam, é que as distorções agora migram do setor público para o privado, tirando proveito de mecanismos menos transparentes e de menor escrutínio.
A Fictor aguarda decisão judicial sobre o plano de recuperação enquanto tenta reter clientes e estabilizar suas operações financeiras.
Com informações de Gazeta do Povo