Brasília, 25 de março de 2026 – Representantes dos caminhoneiros realizam nesta quinta-feira uma assembleia que pode deflagrar uma nova paralisação nacional. O movimento ocorre em um cenário de preços recordes para o diesel, estoques apertados de combustíveis e colheita agrícola fora do calendário, combinação que, segundo transportadores e analistas, ampliaria os danos registrados na greve de 2018.
Abastecimento de combustíveis sob pressão
Com o barril de petróleo encarecido pelos conflitos no Oriente Médio e a diferença entre o valor do diesel no mercado interno e no exterior, os estoques nas distribuidoras estão limitados. Caso os caminhões deixem de circular, postos de gasolina e aeroportos podem ficar sem produto em poucos dias, comprometendo o transporte de passageiros e de cargas.
Alimentos podem sumir em 72 horas
A interrupção da malha rodoviária afetaria imediatamente a logística de perecíveis. Carne, leite, frutas e verduras tendem a desaparecer das prateleiras em até três dias. Produtores rurais também correm risco de perder parte da safra, já atrasada, por falta de transporte ou armazenamento adequado, o que pressionaria os preços de itens básicos.
Indústria enfrenta choque duplo
Sem matéria-prima para fabricar nem caminhões para escoar o que está pronto, fábricas de bebidas, eletroeletrônicos e setores que dependem de insumos importados seriam as primeiras a suspender linhas de montagem. Em paralisações anteriores, a atividade industrial caiu a níveis piores que em grandes crises internacionais, lembram economistas.
Inflação ameaça ultrapassar meta do governo
A combinação de falta de produtos e frete mais caro atingiria diretamente o bolso do consumidor. Especialistas alertam que a conjuntura de 2026 é mais frágil que a de oito anos atrás, e uma greve prolongada poderia levar o índice oficial de preços a superar a meta definida pela equipe econômica.
Risco de cancelamento ainda existe
Mesmo com o clima de tensão, líderes do setor admitem recuar. O governo federal editou recentemente uma medida provisória que atende parte das reivindicações da categoria, e as negociações seguem abertas. Caso haja avanço nos ajustes propostos, a mobilização pode ser suspensa antes de provocar impacto generalizado.
A decisão final dos caminhoneiros será anunciada após a assembleia marcada para o fim da tarde.
Com informações de Gazeta do Povo