A possibilidade de uma paralisação dos caminhoneiros em todo o país ganhou novo capítulo nesta quarta-feira (18/03/2026). Após anúncio de medidas de fiscalização do frete pelo governo federal, lideranças da categoria decidiram transferir para as 16h de quinta-feira (19) a assembleia que definirá a deflagração ou não de uma greve nacional.
Quem está à frente da mobilização
A assembleia foi convocada pelo Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Bens da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam) e ocorrerá na sede da entidade, em Santos (SP). Também participam da articulação a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e outras cooperativas e sindicatos regionais.
Na segunda-feira (16), representantes desses grupos aprovaram um indicativo de greve. A expectativa era ampliar o apoio em reunião realizada nesta quarta, mas o encontro terminou sem consenso após os anúncios do governo.
O que o governo prometeu
Horas antes da reunião, o ministro dos Transportes, Renan Filho, e o presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Guilherme Sampaio, afirmaram que empresas reincidentes no pagamento de frete abaixo do piso mínimo poderão ser impedidas de contratar transporte rodoviário de cargas. A fiscalização passará a ser eletrônica.
A prática de contratar abaixo da tabela é uma das principais queixas dos transportadores autônomos, que também reclamam do repasse do aumento do diesel aos motoristas.
Pressão sobre o preço do diesel
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) enviou ofício à Secretaria Nacional do Consumidor pedindo investigação sobre possíveis elevações especulativas no óleo diesel. A confederação chegou a soltar nota de apoio à greve na terça-feira (17), mas recuou e agora aguarda a assembleia de quinta.
O diesel S-10 subiu 7,72% entre a última semana de fevereiro e a primeira de março, enquanto o diesel comum avançou 6,10%, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log. No Piauí, a alta chegou a 17,45%. A escalada é atribuída ao aumento da cotação internacional do petróleo, agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz após o início do conflito entre Estados Unidos e Irã no fim de fevereiro.
Sindicatos que já confirmaram adesão
Além da Abrava e do Sindicam, o Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes e Região (Sinditac), em Santa Catarina, anunciou que cruzará os braços a partir de quinta. A Associação Nacional dos Transportadores Autônomos de Carga (ANTC), sediada em Itajaí (SC), também promete iniciar manifestação nacional ao meio-dia do mesmo dia.
Reações e novas frentes de atuação do governo
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, isentaram diesel de PIS/Cofins e editaram medida provisória que prevê subsídio a produtores e importadores do combustível. O governo ainda estuda elevar o imposto de exportação sobre o petróleo para aumentar a oferta interna.
Na segunda (16), a ANTT reajustou o piso do frete, com aumentos médios de até 7%. Já na terça (17), a Polícia Federal abriu inquérito para investigar suspeita de aumento abusivo nos preços dos combustíveis. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, classificou como “inaceitável” o repasse de custos não comprovados. Nesta quarta, Haddad acusou empresários de especulação.
Greve de 2018 serve de alerta
A memória da paralisação de 2018, que durou 10 dias e provocou desabastecimento de combustíveis, alimentos e insumos industriais, reforça a preocupação do governo em um ano eleitoral. Naquela ocasião, o Executivo federal cedeu e instituiu, entre outras medidas, a tabela mínima de frete.
Agora, com combustíveis em alta e fretes considerados defasados, a categoria volta a ameaçar parar o país. A decisão final está marcada para a tarde desta quinta-feira.
Com informações de Gazeta do Povo