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Pré-candidatura de Caiado pelo PSD embaralha disputa com Flávio Bolsonaro pelo apoio do mercado financeiro

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A confirmação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato do PSD à Presidência da República, anunciada em 1.º de abril de 2026, alterou o eixo da disputa entre PSD e PL pela confiança do empresariado brasileiro na eleição de 2026.

No evento de lançamento em Brasília, conduzido pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, Caiado destacou sua experiência administrativa para se colocar como opção “de maior previsibilidade” frente ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“O desafio não é apenas ganhar do PT; o difícil é governar para que o PT não seja mais opção no país”, afirmou o goiano diante de correligionários.

Mercado financeiro vê pouca competitividade

Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que a entrada de Caiado não atende à expectativa de uma “terceira via” de centro capaz de atrair votos fora da polarização. A decepção veio na sequência das desistências do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e do paranaense Ratinho Junior (PSD), nomes antes bem recebidos pelo setor privado.

O economista Felipe Miranda, da Empiricus, resume a leitura predominante: “Caiado fez pouco preço; o mercado entende que ele não tem capacidade de influenciar o resultado neste momento”. Para Miranda, o objetivo central dos investidores é evitar a reeleição de Lula.

Flávio Bolsonaro mantém vantagem nas pesquisas

<pLevantamento da Nexus para o BTG Pactual, feito de 27 a 29 de março com 2.000 entrevistados, mostra Flávio Bolsonaro empatado com Lula nos três cenários de primeiro turno e repetindo 46% a 46% no segundo. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o registro no TSE é BR-07875/2026.

Apesar de críticas a propostas consideradas “genéricas”, Flávio vem intensificando o diálogo com agentes do mercado para se apresentar como nome mais moderado que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Empresariado em compasso de espera

Para o sócio-fundador da Nord Research, Renato Breia, o mercado “sempre preferirá alguém de centro-direita”, mas ainda avalia se Flávio reproduzirá ou não o estilo do ex-mandatário. Já Álvaro Bandeira, da Apimec Brasil, afirma que a decisão penderá para quem apresentar o programa econômico mais consistente, incluindo indicação de equipe para pastas como Fazenda, Planejamento e Indústria.

As convenções partidárias ocorrem de 20 de julho a 5 de agosto, e os registros de candidatura devem ser protocolados até 15 de agosto. Até lá, prevalece a expectativa sobre as propostas fiscais dos postulantes, diante de problemas já mapeados como pressão de precatórios, dívida pública acima de 85% do PIB e inflação resistente.

Com informações de Gazeta do Povo