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Brasil assume 2º lugar entre os destinos de investimento da China no mundo

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O Brasil passou a ocupar a segunda posição no ranking de destinos do investimento externo chinês em 2025, superando economias tradicionais e confirmando a escalada da presença de capitais da China no país, mesmo com a retração global dos aportes estrangeiros.

Mais de US$ 70 bilhões em 17 anos

Levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) mostra que, entre 2007 e 2023, empresas chinesas aplicaram US$ 73,3 bilhões — cerca de R$ 400 bilhões — em 264 projetos no território brasileiro. Desse total, 45% (US$ 33,2 bilhões) concentraram-se no setor elétrico. A indústria de transformação recebeu US$ 5,3 bilhões (7%), obras de infraestrutura ficaram com US$ 3,3 bilhões (5%) e a agricultura, US$ 2,4 bilhões (3%).

Considerando o estoque de investimentos do período, o Brasil aparece como o quarto maior receptor mundial de capital produtivo chinês, atrás de Estados Unidos (US$ 193,6 bilhões), Austrália (US$ 102,6 bilhões) e Reino Unido (US$ 99,9 bilhões) — sendo o único país em desenvolvimento entre os cinco primeiros.

Desempenho em 2025

Dados do China Global Investment Tracker, mantido pelo American Enterprise Institute (AEI), indicam que o Brasil recebeu 10% dos aportes chineses no exterior entre janeiro e junho de 2025. O volume desembolsado somou US$ 2,2 bilhões, alta de 5,3% em relação ao mesmo intervalo de 2024. A Indonésia liderou, com US$ 2,59 bilhões, mas registrou queda anual de 22,9%.

Ligações diplomáticas

Em 11 de agosto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com o líder chinês Xi Jinping. Segundo a agência Xinhua, Xi afirmou que Pequim “está pronta para trabalhar com o Brasil para dar o exemplo de unidade” entre países do Sul Global. Lula disse que pretende ampliar a cooperação em saúde, petróleo e gás, economia digital e satélites, além de buscar novas oportunidades de negócios bilaterais.

Aporte cresce em meio à queda global

Somente em 2023, os investimentos da China no Brasil somaram US$ 1,73 bilhão, avanço de 33% frente a 2022, ano em que os aportes haviam recuado 78%. O movimento contrasta com a redução geral dos fluxos de capital estrangeiro: o Banco Central registrou retração de 17% na entrada de investimentos no país em 2023. A OCDE apontou queda de 7% no mundo e de 13% no Brasil, enquanto a UNCTAD calculou recuos de 2% globalmente e de 10,2% no mercado brasileiro.

Análise patrocinada pelo Bradesco no estudo do CEBC atribui a estratégia chinesa a uma postura mais cautelosa, concentrando-se em parceiros considerados estratégicos, caso do Brasil, diante de um cenário geopolítico mais restritivo.

Evolução da participação chinesa

Relatório do Banco Central revela que o estoque de capital chinês em empresas brasileiras saltou de US$ 7,9 bilhões em 2010 para US$ 53,2 bilhões em 2023 — expansão de 575%. Nesse período, a China subiu da 16ª para a 5ª posição entre as principais origens de investimento estrangeiro direto no país. Os Estados Unidos continuam na liderança, com crescimento de 148,7%, passando de US$ 109,7 bilhões para US$ 272,9 bilhões.

Tensão nos Estados Unidos

O avanço do capital chinês também chamou a atenção em Washington. No orçamento dos órgãos de inteligência dos EUA para o ano fiscal de 2026, o senador republicano Tom Cotton incluiu um pedido de investigação sobre a presença chinesa no setor agrícola brasileiro e seus possíveis efeitos na cadeia global de suprimentos e na segurança alimentar.

Com informações de Gazeta do Povo