As ações dos principais bancos do país despencaram nesta terça-feira, 19 de agosto de 2025, depois que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que decisões e normas de outros países não podem ser aplicadas automaticamente no Brasil. O movimento retirou R$ 41,9 bilhões do valor de mercado das instituições financeiras listadas na B3.
O recuo foi suficiente para puxar o Ibovespa para baixo de 135 mil pontos. O índice encerrou o pregão em queda de 2,1%, aos 134.432 pontos. No câmbio, o dólar comercial avançou 1,19% e fechou a R$ 5,499 na venda.
Desempenho dos bancos
Entre as ações mais atingidas, o Banco do Brasil liderou as perdas, com baixa de 6,02%. Na sequência apareceram Santander (-4,87%), BTG Pactual (-3,48%), Bradesco (-3,42%) e Itaú (-3,04%).
Em termos de valor de mercado, a consultoria Elos Ayta calculou as seguintes reduções:
- Itaú: ‑R$ 14,7 bilhões;
- BTG Pactual: ‑R$ 11,4 bilhões;
- Banco do Brasil: ‑R$ 7,2 bilhões;
- Bradesco: ‑R$ 5,4 bilhões;
- Santander: ‑R$ 3,2 bilhões.
Posicionamento do Banco do Brasil
Em nota, o Banco do Brasil afirmou que cumpre a legislação nacional, normas dos mais de 20 países onde opera e padrões internacionais do sistema financeiro. A instituição acrescentou contar com assessoramento jurídico especializado para lidar com temas regulatórios complexos.

Imagem: Gustavo Moreno via gazetadopovo.com.br
Contexto da decisão
A determinação de Flávio Dino foi proferida em um processo sobre os rompimentos das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais. O despacho, contudo, repercute além do caso ao limitar a aplicação de legislações estrangeiras, como a Lei Magnitsky, sancionada pelos Estados Unidos em 30 de julho e que prevê punições a autoridades e entidades acusadas de violações de direitos humanos.
No mercado, analistas apontam que a restrição imposta pelo ministro amplia a incerteza sobre possíveis sanções, especialmente a bancos que mantêm operações internacionais, o que contribuiu para a forte realização de lucros vista no pregão.
Com informações de Gazeta do Povo