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Banco Master enviou R$ 37,7 milhões ao Metrópoles e a Léo Dias em meio à crise de liquidez

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Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que o Banco Master transferiu valores milionários ao site Metrópoles e à empresa do jornalista Léo Dias entre 2024 e 2025, período em que a instituição já enfrentava forte pressão de mercado e buscava socorro junto ao governo federal.

Pagamentos ao Metrópoles

O Coaf identificou repasses de R$ 27,8 milhões à Metrópoles Marketing e Propaganda Ltda. no segundo semestre de 2024. As operações foram classificadas como “inusitadas” e “incompatíveis” com o faturamento declarado da empresa. Parte dos recursos foi debitada imediatamente para outras companhias controladas por Luiz Estevão, entre elas Madison Gerenciamento S/A, Sense Construções e Macondo Construções.

Em 2025, o Master tornou-se o principal remetente de recursos ao Metrópoles, somando cerca de R$ 5,7 milhões em transferências fracionadas, algumas anteriores ao início formal de contratos citados como justificativa, como a transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro e a venda de naming rights da competição.

Transferências para Léo Dias

Entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, o Coaf apontou seis repasses diretos que totalizam R$ 9,9 milhões ao jornalista. Outros R$ 2 milhões saíram de uma empresa ligada ao banco, a LD Produções, de um empresário mineiro próximo a Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. No período analisado, cerca de R$ 34,9 milhões circularam nas contas da empresa de Léo Dias, sendo 28% oriundos do Master. As saídas somaram R$ 35,7 milhões, com pagamentos de boletos a terceiros e transferências sem descrição clara.

Outro relatório mostra que Léo Dias pagou R$ 2,6 milhões à Foone Serviços Internet, cujo quadro societário incluía o responsável pela LD Produções e Zettel.

Contexto das negociações com o governo

Os repasses ocorreram enquanto o Banco Master tentava contornar problemas de liquidez. No fim de 2024, Vorcaro reuniu-se no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o então futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia). O encontro, articulado pelo ex-ministro Guido Mantega, não constou na agenda oficial. Lula confirmou posteriormente a reunião e afirmou que a investigação sobre o banco seguiria critérios técnicos.

Versão dos envolvidos

Tanto o Metrópoles quanto Léo Dias alegam que os valores se referem a contratos publicitários do Will Bank, banco digital controlado pelo Master e também liquidado pelo Banco Central. “O dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser”, declarou Luiz Estevão. A assessoria de Léo Dias reforçou que a relação foi restrita à publicidade do Will Bank e informou que o empresário Thiago Miranda, que comprou parte da empresa do jornalista, deixou o cargo de CEO em junho de 2025.

O Coaf segue analisando as movimentações consideradas suspeitas. Até o momento, não há decisão definitiva do Banco Central sobre possíveis sanções adicionais ao Master ou às empresas que receberam os recursos.

Com informações de Gazeta do Povo