Brasília – 07/04/2026. O Ministério da Fazenda confirmou nesta terça-feira (7) a elevação da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) aplicada aos cigarros de 2,25% para 3,5%. A medida, que passa a valer imediatamente, deve puxar o preço mínimo do maço de R$ 6,50 para R$ 7,50.
Segundo a pasta, a mudança deve acrescentar cerca de R$ 1,2 bilhão à arrecadação federal nos próximos dois meses. O montante será utilizado para compensar a perda de receita causada pela isenção de PIS/Cofins sobre querosene de aviação (QAV) e biodiesel.
Indústria vê risco de expansão do mercado ilegal
A Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo) classificou o reajuste como um “alerta crítico” para a economia e a segurança pública, argumentando que a alta tributária sobre o produto legal estimula a migração de consumidores para o cigarro contrabandeado.
Dados citados pela entidade mostram que o mercado ilegal responde hoje por 31% das vendas nacionais, porcentual apurado pelo Ipec em 2025. A associação lembra ainda que, após um aumento de tributos em 2012, a participação dos produtos clandestinos saltou de 34% em 2013 para 57% em 2019, ano em que a evasão fiscal superou a própria arrecadação do setor.
A Abifumo também destacou pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgada em 2025, segundo a qual cada ponto percentual de avanço do cigarro ilegal está relacionado a 5 mil outros crimes no país. Para a entidade, ignorar a fragilidade das fronteiras e a facilidade de acesso ao produto irregular “abre espaço para o crescimento da violência e das organizações criminosas”.
O governo não comentou as críticas da indústria. O novo IPI já foi publicado em ato normativo e entra em vigor na data da publicação.
Com informações de Gazeta do Povo