Brasília – Pelo menos quatro criadores de conteúdo receberam, na terça-feira (28), pedidos de orçamento ou convites para participar de um evento promovido pelo Banco de Brasília (BRB) em São Paulo. A proposta, encaminhada pela agência Flap, previa que os influenciadores abordassem o chamado “caso Master” e divulgassem a iniciativa como sinal de transparência do banco.
Nos e-mails enviados, a Flap ofereceu duas datas possíveis para a realização do encontro: 10 ou 24 de fevereiro. O presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, participaria da apresentação. De acordo com as mensagens, o pagamento aos convidados ocorreria em até 40 dias após a emissão de nota fiscal.
Condições para participação
Os profissionais seriam responsáveis por publicar stories e um vídeo resumindo o evento, além de ceder o direito de imagem por 30 dias para divulgação nos canais do BRB. O contrato também exigia que o conteúdo seguisse o briefing da agência e que, em até 48 horas, fosse enviado um relatório de métricas das publicações.
Posicionamento da agência
Em nota encaminhada ao jornal O Estado de S. Paulo, a Flap informou que o convite “partiu de uma iniciativa interna de cotação para um evento ainda em fase preliminar de planejamento, sem prévia submissão ou aprovação do Banco BRB”. A empresa afirmou que o objetivo seria uma “apresentação institucional pela nova direção do BRB”, buscando ampliar o acesso a informações e reforçar a transparência. A agência acrescentou que não houve tentativa de “compra de opinião” nem interferência editorial.
A reportagem procurou o BRB, que ainda não se manifestou.
Contexto da investigação
O BRB é investigado pela Polícia Federal por supostamente ter comprado carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025. Segundo as apurações, os valores simulados chegariam a dezenas de bilhões de reais; considerando o também liquidado Will Bank, do mesmo grupo, as estimativas somam cerca de R$ 47 bilhões.
Com informações de Gazeta do Povo