Brasília – Desde a virada do ano, uma sequência de decisões judiciais, relatórios técnicos e articulações políticas elevou a percepção de risco em torno do Banco Master, liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025. Nos primeiros 12 dias de 2026, ao menos 18 episódios reforçaram a extensão da fraude estimada em R$ 12 bilhões e revelaram a influência da instituição sobre diferentes esferas de poder.
Os 18 acontecimentos
1 – Depoimentos e acareação cancelada (30/12)
A delegada da Polícia Federal (PF) Janaína Palazzo tomou os depoimentos de Daniel Vorcaro (Master), Paulo Henrique Costa (ex-BRB) e Ailton de Aquino Santos (BC). O ministro Dias Toffoli, do STF, havia cogitado acareação entre eles, mas recuou após questionamentos do BC e da PGR.
2 – Relatório do BC ao TCU (31/12)
O BC enviou à Corte de Contas relatório que descreve operações de “limpeza contábil” entre o Master e a Reag Trust, envolvendo R$ 11,5 bilhões em ativos trocados para mascarar déficits.
3 – TCU ordena inspeção (02/01)
O presidente do Tribunal de Contas da União, ministro Vital do Rêgo, determinou inspeção emergencial em documentos do BC sobre o Master, a cargo do ministro Jonathan de Jesus.
4 – Possível bloqueio de ativos (05/01)
Jonathan de Jesus admitiu estudar medida cautelar para impedir a venda de ativos do banco durante a liquidação.
5 – Setor financeiro apoia o BC (05/01)
Onze entidades que representam 757 instituições divulgaram nota reafirmando confiança plena nas decisões do BC.
6 – Influenciadores relatam oferta de campanha contra o BC (06/01)
Criadores de conteúdo afirmaram ter sido procurados para publicar críticas à atuação do BC no caso Master em troca de remuneração.
7 – BC recorre da inspeção (06/01)
A autoridade monetária contestou a decisão monocrática do TCU, alegando que inspeções só podem ser aprovadas pelo plenário da Corte.
8 – Representação na PGR (07/01)
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) pediu ao procurador-geral Paulo Gonet apuração de possível abuso de autoridade por parte do ministro Jonathan de Jesus.
9 – FMI e Banco Mundial monitoram autonomia do BC (07/01)
Relatório das duas instituições apontou riscos regulatórios e necessidade de blindagem do BC contra interferências políticas.
10 – TCU admite limite de atuação (07/01)
Vital do Rêgo reconheceu que apenas o STF poderia reverter a liquidação do Master, sinalizando recuo.
11 – Inspeção suspensa (08/01)
Jonathan de Jesus sustou a ordem de inspeção e submeteu o tema ao plenário, após pressões internas e do mercado.
12 – Estados e municípios arcam com perdas (08/01)
O Ministério da Previdência definiu que entes federados deverão cobrir prejuízos de fundos de previdência que aplicaram em títulos do Master; ao menos 18 institutos foram afetados.
13 – Defesa do TCU (09/01)
Vital do Rêgo voltou a afirmar que a Corte tem prerrogativa de fiscalizar agências reguladoras, mas negou intenção de anular a liquidação.
14 – Auditores isentam o BC (10/01)
Relatório técnico do TCU concluiu que o BC foi diligente, monitorou o Master desde 2024 e comunicou indícios criminais ao MPF antes da intervenção.
15 – Negativa de pedido ao STF (10/01)
A defesa de Vorcaro informou não ter solicitado o envio das operações Carbono Oculto, Quasar ou Tank ao Supremo, contrariando informação veiculada pela imprensa.
16 – “Tropa de choque” jurídica (10/01)
Vorcaro contratou cinco escritórios de advocacia e um ex-procurador do BC para atuar no STF, no TCU, no BC e nos Estados Unidos contra a liquidação.
17 – Laços de parentes de Toffoli com fundos ligados ao Master (11/01)
Folha de S.Paulo revelou que empresas de irmão e primo do ministro tiveram sociedade com fundo Arleen, cotista do RWM Plus, um dos veículos investigados.
18 – BC aceita inspeção revisada (12/01)
Após reunião, BC e TCU acertaram nova inspeção nos documentos do caso Master. Vital do Rêgo disse que o trabalho deve durar um mês e não altera a decisão de liquidar o banco.
Contexto
O BC liquidou o Banco Master em 18 de novembro de 2025 por crise de liquidez e riscos sistêmicos. A PF estima fraude de R$ 12 bilhões envolvendo venda de créditos sem lastro ao BRB. Vorcaro foi preso por 11 dias, e o inquérito foi enviado ao STF sob sigilo.
Os desdobramentos seguem mobilizando STF, TCU, Congresso, governo federal e mercado financeiro, enquanto investidores aguardam pagamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Com informações de Gazeta do Povo