Um tribunal antiterrorismo no Paquistão sentenciou os advogados de direitos humanos Imaan Zainab Mazari-Hazir e Hadi Ali Chattha a 10 anos de prisão. As condenações foram anunciadas no dia 29 de outubro pelo juiz Tahir Abbas Sipra, no presídio de Adiala, em Rawalpindi, e geraram forte reação de organizações internacionais de direitos humanos.
Mazari-Hazir e Chattha foram considerados culpados sob a Lei Antiterrorismo de 1997, recebendo penas de 10 anos e multas de 100.000 rúpias (cerca de 360 dólares). Além disso, ambos foram sentenciados a um ano de prisão e multas de 50.000 rúpias por obstrução de funcionários públicos e a dois anos por uso de força criminosa contra servidores públicos. As penas serão cumpridas simultaneamente, totalizando um máximo de 10 anos de prisão.
A acusação remonta a um incidente ocorrido em 25 de outubro de 2024, quando a equipe de críquete da Inglaterra estava no Paquistão. Os promotores alegaram que os advogados removeram barreiras de segurança e obstruíram a ação policial em um ponto estratégico de Islamabad, colocando em risco a segurança do time visitante.
Durante o julgamento, tanto Mazari-Hazir quanto Chattha negaram as acusações, afirmando que a ação judicial é parte de uma campanha para retaliar sua atuação em defesa dos direitos humanos, especialmente em favor de comunidades marginalizadas, incluindo cristãos. Eles se consideram prisioneiros de consciência e alegaram violação de seus direitos a um julgamento justo e à dignidade humana.
Imaan Zainab Mazari-Hazir declarou: “O que foi apresentado durante este julgamento não é contra nós, mas sim uma acusação contra as testemunhas de acusação e o estado.”
A Anistia Internacional e outras organizações de direitos humanos criticaram severamente o veredicto, apontando que o julgamento não atendeu aos padrões internacionais de justiça. A Anistia também expressou preocupação com as condições em que os advogados foram mantidos durante as audiências, sendo mantidos em uma estrutura semelhante a uma gaiola, o que dificultou a comunicação com seus advogados.
A repercussão internacional foi intensa, com organizações salientando que o julgamento realizado dentro do presídio de Adiala e as condições de comparecimento do casal são indicativos de abusos no sistema de justiça paquistanês. A Anistia Internacional ressaltou que as condenações são um reflexo da perseguição ao trabalho dos advogados e uma crítica ao sistema judiciário local.
Os advogados estão presos desde 23 de janeiro, quando foram detidos em um caso separado envolvendo uma suposta altercação fora do Tribunal Superior de Islamabad.
Fonte: Gospel Mais.









