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Crescimento do PL força Hugo Motta a buscar apoio antecipado para reeleição na Câmara

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Após as eleições que definiram a nova composição da Câmara dos Deputados, a disputa pela presidência da Casa em 2027 já começou. O presidente atual, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem intensificado suas articulações para garantir a reeleição, especialmente diante do crescimento do PL, que terá a maior bancada com 121 deputados.

Motta iniciou suas negociações logo após o segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, que resultou na vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Desde então, ele busca apoio de líderes de pelo menos 15 partidos que farão parte da nova legislatura a partir de fevereiro de 2027.

A bancada do PT, que contará com 70 deputados, é a segunda maior da Câmara e já manifestou apoio a Motta, em conjunto com o PCdoB e o PV. Essas três siglas se juntam a outras 12 que já haviam declarado apoio ao atual presidente: Republicanos, PSD, MDB, Podemos, PSB, PDT, além das federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e Solidariedade-PRD.

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, destacou a importância dessa composição para garantir a governabilidade do novo governo e avançar nas pautas das três bancadas. Entretanto, a entrada do PT na articulação trouxe uma condição: eles desejam afastar o PL e o Novo do bloco de apoio a Motta, limitando a participação do partido de Flávio Bolsonaro nas discussões sobre cargos na Mesa Diretora e nas comissões.

O Palácio do Planalto expressa preocupação com o aumento da bancada do PL, temendo que a oposição consiga dificultar a aprovação das principais propostas do governo a partir do próximo ano. A possibilidade de o PL ser excluído do bloco pode impactar a distribuição de comissões.

Embora o PL tenha a maior bancada, o partido pode perder prioridade na escolha das comissões se não se integrar ao grupo articulado por Motta. Em 2025, o PL apoiou Motta na presidência da Câmara em um acordo mediado pelo então presidente, Arthur Lira (PP-AL).

Com a saída de Flávio Bolsonaro do país, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, assumiu as negociações com os parlamentares eleitos. Na última quinta-feira (29), ele se reuniu com Jair Bolsonaro para discutir estratégias para as eleições da Câmara e do Senado.

A possibilidade de apoiar a reeleição de Motta divide a bancada do PL. Enquanto alguns membros defendem a candidatura própria, outros acreditam que uma aliança com o atual presidente pode garantir espaço para a oposição. A direção do PL considera prioritária a eleição para a presidência do Senado, o que torna a situação mais complexa.

Rogério Marinho (PL-RN) é cotado como candidato ao Senado, o que poderia permitir ao PL negociar apoio a outro candidato na Câmara em troca de uma participação na estrutura de poder da Casa.

O cientista político André César comenta que a movimentação do PL deve ser vista no contexto da disputa pelo controle do Congresso, onde os partidos do Centrão buscam reafirmar seu protagonismo.

A relação entre o PL e Hugo Motta tem sido marcada por altos e baixos desde sua eleição à presidência em fevereiro de 2025. O PL esperava que Motta avançasse pautas prioritárias, mas a falta de progresso em temas como a anistia aos presos do 8 de janeiro gerou descontentamento na bancada.

O desgaste se intensificou em agosto de 2025, quando deputados do PL protestaram na Mesa Diretora. Apesar das divergências, Motta mantém canais de diálogo abertos com o PL, o que pode ser um fator importante nas negociações para a próxima legislatura.

Fonte: Gazeta Do Povo.