O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, chegou a Atlanta, nos Estados Unidos, nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2026, para a Cúpula de Chanceleres do G20. Este encontro marca o primeiro contato oficial entre os dois países desde a eleição presidencial brasileira, que ainda não foi reconhecida pelos Estados Unidos.
A cúpula é organizada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, que tem laços próximos com a família Bolsonaro. Embora não haja uma reunião bilateral agendada entre Vieira e Rubio, espera-se que os dois tenham conversas informais durante os compromissos, que visam preparar a Cúpula de Líderes programada para dezembro.
Um dos principais tópicos a ser discutido no encontro é a redação da declaração final que será assinada pelos líderes no final do ano. O governo brasileiro tem tratado essas reuniões com cautela e não espera grandes avanços nas negociações.
Até o momento, Donald Trump não se manifestou sobre a vitória de Lula, que conquistou seu quarto mandato. O ex-presidente americano levantou suspeitas sobre a legitimidade do processo eleitoral no Brasil, chamando a eleição de “desgraça”.
Outro ponto de tensão é o apoio da Casa Branca à saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil. Flávio, derrotado por Lula na corrida presidencial, deixou o país com destino à Argentina, desembarcando em Miami na manhã de quarta-feira, 28 de outubro. Essa viagem ocorreu apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia determinado a entrega dos passaportes do senador devido a investigações em andamento.
Flávio usou um passaporte italiano para deixar o Brasil, e o jornal The New York Times revelou que o governo Trump disponibilizou um jato para sua viagem, confirmação recebida de um assessor do ex-presidente. O Departamento de Estado dos EUA também informou que concederia vistos a Flávio e sua família.
Embora Trump não tenha declarado apoio à candidatura de Flávio, ele fez gestos de aproximação ao senador nos últimos meses.
O governo Lula já havia expresso sua discordância com Washington durante uma reunião do G20 em setembro, em Milwaukee, onde se opôs a várias propostas apresentadas pela presidência americana. Assessores de Lula acreditam que o G20 perdeu relevância sob a liderança dos EUA, citando um avanço limitado na agenda do bloco e um recuo em relação à presidência brasileira, que havia proposto a Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza.
A administração Trump tem priorizado acordos bilaterais e frequentemente expressa dúvidas sobre a eficácia de instituições multilaterais, tendo se retirado de várias organizações internacionais que considera desfavoráveis aos interesses americanos.
Fonte: Revista Oeste.









