Os filmes de terror atuais têm se tornado cada vez mais voltados para o sobrenatural. Nesta nova onda, títulos como Obsession e Weapons mostram como elementos demoníacos e ocultos estão no centro das tramas, revelando um apelo por narrativas que exploram o mal.
Em Obsession, um personagem frustrado usa um objeto oculto para tentar conquistar a colega de trabalho, desencadeando consequências aterradoras. Já em Weapons, o desaparecimento de crianças é atribuído a uma bruxa que deseja roubar suas energias vitais. Essas produções, que se destacaram nas bilheteiras, refletem uma crescente aceitação do tema do mal sobrenatural, que muitas vezes é ignorado ou desdenhado na sociedade.
O fenômeno não é recente. Desde os clássicos de terror da década de 1930, como Drácula e Frankenstein, até o marco moderno que foi Rosemary’s Baby em 1968, o gênero sempre teve um papel significativo em refletir a luta entre o bem e o mal. O filme de Polanski, por exemplo, inverte as expectativas ao mostrar que o Diabo triunfa, deixando o público sem esperança.
O que se observa agora é um aumento do que críticos chamam de “terror elevado”. Filmes como Hereditary e The Witch exploram cultos e a bruxaria sob uma nova luz, enquanto Sinners, de 2025, critica as normas religiosas opressivas. Embora esses filmes abordem forças espirituais malignas, muitos deles descartam a ideia de que a salvação pode vir da igreja, sugerindo que a redenção deve ser buscada dentro de si mesmo.
Entretanto, muitos dos lançamentos atuais ainda têm uma conexão com valores cristãos, mesmo que de forma não explícita. Isso pode ser observado na popularidade de The Exorcist, que, além de ser um marco no gênero, trouxe conforto tanto a crentes quanto a céticos, ao afirmar que o mal pode ser enfrentado e derrotado, embora a um alto custo.
As franquias, como o Conjuring Universe, também contribuem para essa narrativa, apresentando personagens católicos que lutam contra forças demoníacas, sempre invocando o nome de Jesus para vencer o mal. Essas produções oferecem uma forma de combate espiritual que ressoa com muitos espectadores em busca de respostas para suas ansiedades espirituais.
Em seu livro Be Afraid, o professor Kutter Callaway argumenta que confrontar o mal pode, de fato, fortalecer a fé, e que a crescente desilusão com o materialismo moderno gera um desejo de reencantamento espiritual. O reconhecimento da existência do sobrenatural, segundo ele, é um passo importante em direção a uma fé mais significativa.
Os filmes de terror, portanto, funcionam como espelhos da sociedade, refletindo seus medos e desejos mais profundos, incluindo a busca por uma realidade maior e o reconhecimento de que o mal, de fato, existe.
Fonte: Christianity Today.









