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PF investiga irregularidades em documentos de operações entre Banco Master e BRB

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A Polícia Federal (PF) encontrou indícios de que documentos utilizados para justificar operações entre o Banco Master, a Tirreno e o Banco de Brasília (BRB) foram elaborados após cobranças de órgãos de controle. Essa descoberta faz parte do relatório do Inquérito 5.026, que está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF) como parte das investigações da Operação Compliance Zero.

Segundo os investigadores, muitos documentos não existiam na época das transações financeiras e foram criados posteriormente com datas retroativas. O relatório aponta irregularidades como Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) assinadas meses após as datas mencionadas, além de procurações geradas em massa e termos de consentimento sem datas.

Entre os achados, a PF destacou contratos que foram apresentados como celebrados em dezembro de 2024, mas que, na verdade, foram assinados em maio de 2025. Documentos gerados pelo Banco Master foram enviados à Tirreno, que apareceu formalmente como a remetente.

A investigação revelou que o BRB e o Banco Central intensificaram a fiscalização sobre as carteiras financeiras, exigindo comprovações da origem dos créditos e dos contratos envolvidos. Nesse cenário, a Tirreno começou a ser apresentada como responsável pela concessão e cessão dos créditos. No entanto, a PF sustenta que a empresa não possuía a estrutura necessária para gerar bilhões de reais em créditos e não foram encontrados registros que comprovassem transferências de valores para os tomadores de empréstimos.

O relatório destaca que integrantes do Banco Master, da Tirreno e do escritório de advocacia Monteiro Rusu produziram e organizaram documentos em massa para atender às exigências do BRB e do Banco Central. O escritório, dirigido por Daniel Lopes Monteiro, foi responsável pela estruturação jurídica dos contratos e documentos que davam suporte às operações da Tirreno.

A PF também observou que, além da produção de documentos com datas retroativas, alguns continham cláusulas incompatíveis com a realidade comercial investigada. A Tirreno foi responsabilizada pela originação e formalização dos créditos, mesmo sem ter a capacidade econômica para isso.

O relatório conclui que o BRB continuou a adquirir novas carteiras, mesmo diante de alertas internos sobre problemas como inadimplência e falta de documentação comprobatória. Em 12 de fevereiro de 2025, a Diretoria de Riscos do BRB registrou que as análises estavam sendo feitas “na confiança”, sem as devidas averbações, e mesmo assim autorizaram mais de R$ 5 bilhões em aquisições.

As conclusões da PF, que fazem parte de um relatório parcial, indicam que a suposta fraude se estruturou com a cessão ao BRB de carteiras sem a devida comprovação de sua existência e regularidade.

Fonte: Revista Oeste.