Nathan Fielder, conhecido por seu estilo peculiar e desconfortável, apresenta seu novo filme, “You Can See Everything”, onde interage com Elizabeth Holmes, condenada por fraudes relacionadas ao seu dispositivo de testes de sangue, o Theranos. A obra se passa nas últimas semanas antes da prisão de Holmes, mas o que mais incomoda o público é a aparente falta de clareza sobre a verdade por trás das ações da protagonista.
No filme, o espectador tem acesso a uma série de comportamentos manipulativos de Holmes, ao narcisismo de seu parceiro e à ambiguidade ética de Fielder. Contudo, muitos se perguntam: será que Holmes é uma mentirosa contumaz ou apenas uma iludida? Em uma cena surpreendente, ela afirma nunca ter mentido, insistindo que sua invenção poderia realmente funcionar se as condições químicas fossem favoráveis.
A narrativa é ainda mais complicada pela presença de seus namorados, que parecem gerenciar suas finanças. Holmes tenta nos convencer de que está tão focada na ciência que ignora as decisões financeiras que eles tomam por ela, alegando não se preocupar com dinheiro.
Essa ambiguidade é uma das razões pelas quais o filme não atende às expectativas de muitos espectadores. A questão central permanece sem resposta: “Quem está mentindo e por quê?” Fielder parece querer deixar essa pergunta em aberto, destacando que a real natureza da mentira pode ser mais complexa do que a superfície parece indicar.
A era atual é marcada por grandes mentiras, que exigem uma credulidade intencional para serem aceitas. Isso nos torna vulneráveis à verdadeira essência da desonestidade. Em um seminário sobre o profeta Jeremias, um membro da congregação levantou uma questão pertinente sobre Hananiah, um profeta que, ao contrário de Jeremias, prometia um futuro otimista em relação à crise babilônica. Isso ilustra a diferença entre mentirosos superficiais e aqueles que, como Hananiah, podem ser sinceros em sua ilusão.
As escrituras alertam sobre os perigos de mentirosos que exploram as pessoas, enquanto outros, mais profundos, enganam a si mesmos. A mentira pode ser uma afirmação totalmente falsa, mas as mais perigosas são aquelas que distorcem a verdade de maneira sutil. Jesus descreve o Diabo como “pai da mentira”, ressaltando a importância de discernir entre o que é verdade e o que é engano.
Em última análise, o filme “You Can See Everything” não apenas expõe mentirosos, mas também reflete sobre a nossa tendência de buscar as perguntas erradas. A questão de saber se Holmes mente para si mesma ou para os outros não resolve a questão de sua natureza como mentirosa. O verdadeiro desafio é reconhecer a nossa própria vulnerabilidade à desonestidade, exigindo uma busca constante pela verdade e uma disposição para questionar nossas próprias narrativas.
Fonte: Christianity Today.









