A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), visando o bloqueio de contas e bens do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de sua esposa, Fernanda Bolsonaro. O pedido ocorre após o casal deixar o Brasil na terça-feira, 27 de outubro de 2026.
O movimento se dá em um contexto em que Moraes havia determinado, no dia anterior, que Flávio entregasse seus passaportes e se abstivesse de viajar para o exterior. Tanto o senador quanto seu amigo, o advogado Willer Tomaz, estão sob investigação por suposta lavagem de dinheiro, embora ambos neguem qualquer irregularidade.
Flávio Bolsonaro havia afirmado em um vídeo nas redes sociais que não deixaria o país, mas, segundo informações, ele e sua família cruzaram a fronteira do Brasil com a Argentina e embarcaram em um voo privado para Miami, nos Estados Unidos.
A deputada argumenta que o descumprimento das ordens judiciais e as evidências de evasão internacional representam um risco à aplicação da lei penal, justificando, assim, a necessidade de medidas cautelares patrimoniais. O pedido inclui também o bloqueio de bens de Fernanda, uma vez que a retenção de contas apenas de Flávio não seria suficiente para evitar que eles se deslocassem juntos, considerando os indícios de risco à tutela jurisdicional.
Para fundamentar a solicitação, Hilton cita um precedente do STF que permitiu a extensão de medidas a cônjuges em situações semelhantes. Ela menciona ainda um bloqueio de contas que já foi realizado em um caso envolvendo o senador Marcos do Val (Avante-ES), reforçando a viabilidade do pedido. A deputada também requisitou que o STF encaminhe os relatos à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o bloqueio de ativos seja formalizado com urgência.
Na mesma data, deputados do PT protocolaram um pedido de prisão preventiva de Flávio Bolsonaro, solicitando ainda a inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol. A petição foi assinada pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Rogério Correia (PT-MG) e Ana Elisa Santos (PT-MG).
As ações judiciais contra Flávio Bolsonaro não são novidade, considerando que o ministro Moraes já havia imposto diversas medidas à família Bolsonaro nos últimos anos. Em julho de 2025, Moraes ordenou buscas na residência do ex-presidente Jair Bolsonaro e impôs restrições de comunicação e uso de redes sociais a ele. Além disso, Flávio teve suas visitas ao pai suspensas por 90 dias devido a postagens consideradas como contornos a proibições judiciais.
O cenário atual acende discussões sobre a legalidade das ações e a possibilidade de perseguição política, especialmente após a saída do senador do país. A situação permanece tensa, com desdobramentos previstos nas próximas semanas.
Fonte: Gazeta Do Povo.









