O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu cancelar os passaportes do senador Flávio Bolsonaro no último domingo (25), apenas sete minutos após a divulgação oficial do resultado das eleições presidenciais. A ação, fundamentada em um inquérito sigiloso da Polícia Federal (PF) sobre lavagem de dinheiro, gerou controvérsias entre juristas e aliados políticos, que questionaram a celeridade e os fundamentos da decisão.
A solicitação da PF para a retenção dos documentos de Flávio Bolsonaro se baseou em dois principais argumentos. O primeiro indica que o senador seria o ‘usuário master’ de uma conta bancária em Portugal pertencente ao advogado Willer Tomaz, o que levantaria suspeitas de lavagem de dinheiro. O segundo ponto se refere a uma declaração pública do deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que afirmou que, caso a eleição não ocorresse a favor da família, ele sugeriria que Flávio deixasse o país. Para a PF, esses elementos justificariam uma medida cautelar imediata para evitar uma possível fuga.
Após a ordem judicial, Flávio Bolsonaro, acompanhado por sua família, deixou o Brasil em direção aos Estados Unidos. Informações de pessoas próximas ao senador indicam que ele viajou logo após se encontrar com seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. Há expectativas de que Flávio solicite asilo político nos Estados Unidos, alegando ser alvo de perseguição pelo sistema judiciário brasileiro. Fontes da imprensa internacional e nacional apontam que o Departamento de Estado dos EUA deve conceder os vistos necessários para a permanência da família.
A relação entre o governo Lula e a família Bolsonaro é marcada por um longo histórico de conflitos judiciais que começou em 2019, com o inquérito das fake news. Moraes tem sido o relator de diversas investigações envolvendo os Bolsonaro, incluindo casos sobre fraudes em cartões de vacina e tentativas de golpe. O presidente Lula já havia alertado Flávio, durante um debate, de que ‘inquéritos iriam andar’, e classificou a recente saída do senador do Brasil como ‘vergonhosa’. Recentemente, Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a mais de 27 anos de prisão, e Eduardo Bolsonaro também enfrentou condenação.
Fonte: Gazeta Do Povo.









