Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alcançou uma impressionante reviravolta nas eleições ao reverter uma desvantagem de 2,2 milhões de votos e vencer Flávio Bolsonaro (PL) por 4,4 milhões. Em apenas três semanas, Lula conquistou 10,4 milhões de votos a mais no segundo turno, ampliando sua participação nos votos válidos em todas as 27 unidades da Federação, desafiando as previsões que apontavam dificuldades em sua reeleição.
A virada foi inesperada, visto que Lula enfrentava um cenário desfavorável. Flávio havia vencido o primeiro turno, e muitas candidaturas eliminadas estavam alinhadas à direita, o que historicamente favorece uma maior abstenção na votação decisiva.
Durante a campanha, pesquisas indicavam Flávio como o favorito. Um modelo da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) atribuiu a Lula apenas 19% de chance de vitória, com Flávio com 52% dos votos válidos. Além disso, a FESPSP lembrou que desde 1989, nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar havia conseguido reverter o resultado no segundo turno.
Na véspera da eleição, as pesquisas ainda mostravam Flávio à frente, como a do BTG/Nexus, que registrou 50,5% para Flávio e 49,5% para Lula. A expectativa de abstenção era de 21%, semelhante ao primeiro turno, mas a realidade foi diferente: a abstenção caiu para 19,2%, e Lula venceu com 51,79% dos votos válidos.
Um estudo do BTG Pactual, que analisou 27 cenários possíveis, não indicou uma vitória para Lula em nenhum deles. Mesmo no cenário mais otimista, Flávio terminaria à frente por cerca de 270 mil votos. Para que Lula conseguisse vencer somente com a mobilização de eleitores ausentes, seria necessário um aumento de comparecimento de 12,6 milhões.
A redistribuição dos votos das candidaturas eliminadas foi um dos principais desafios para Lula. No primeiro turno, Flávio recebeu 56,1 milhões de votos, enquanto Lula obteve 53,9 milhões. Muitos dos candidatos eliminados apoiaram Flávio, o que dificultava a transferência de votos para Lula.
Para conquistar a vitória, Lula precisou não apenas atrair votos de seus adversários ideológicos, mas também compensar essa diferença com um aumento no comparecimento e mudanças na preferência dos eleitores. A matemática da eleição revelou que Lula, passando de 53,8 milhões para 64,2 milhões de votos, obteve um crescimento de 10,3 milhões, enquanto Flávio aumentou de 56,1 milhões para 59,8 milhões, com um acréscimo de 3,7 milhões.
A diferença de 6,6 milhões de votos entre os candidatos foi crucial para a transformação da vantagem inicial de Flávio em uma vitória de Lula, envolvendo três componentes: os votos dos candidatos eliminados, o aumento no comparecimento e a redução dos votos brancos e nulos.
Com essa vitória, Lula demonstrou que, mesmo diante de um cenário adverso, a mobilização e a mudança na dinâmica eleitoral podem resultar em resultados surpreendentes.
Fonte: Revista Oeste.










