A poucos meses do término do governo Lula, os Correios anunciaram a compra de 63,8 mil microcomputadores de alta configuração, o que gerou preocupação na Controladoria-Geral da União (CGU). A estatal, que enfrenta um rombo bilionário, manteve em sigilo o valor da operação, levantando suspeitas sobre a gestão dos recursos públicos.
A CGU iniciou uma análise do processo de aquisição, destacando que a especificação técnica dos equipamentos poderia levar ao desperdício de dinheiro público. O relatório da Controladoria aponta que a configuração mínima exigida inclui 32 GB de memória RAM DDR5 e SSD NVMe de 480 GB ou superior, sem evidências claras de que essa demanda seja realmente necessária para todos os postos de trabalho.
O relatório ressalta que a escolha por configurações mais caras resulta em preços mais elevados para a compra. “Em uma aquisição de grande quantidade, o impacto financeiro é substancial. É essencial que a opção mais onerosa seja acompanhada de uma justificativa técnica robusta”, afirmou a CGU.
Além disso, a CGU notou que o custo total da operação foi classificado como “informação suprimida” a pedido dos Correios, em conformidade com a Lei nº 13.303/2016. A abertura do processo estava prevista para ocorrer em 26 de junho de 2026.
Os resultados financeiros da empresa contrastam com essa compra: os Correios encerraram o primeiro semestre com um prejuízo de R$ 5,5 bilhões. A estatal já havia solicitado auxílio ao governo federal e buscado empréstimos na ordem de R$ 20 bilhões, recebendo um aporte de R$ 6 bilhões da União.
Essa situação levanta questionamentos sobre a viabilidade da aquisição em um momento de crise financeira, evidenciando a necessidade de uma gestão mais transparente e responsável dos recursos públicos.
Fonte: Revista Oeste.









