O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) trouxe uma abordagem mais séria ao debate promovido pela TV Globo na noite de sexta-feira, 23, em comparação ao confronto realizado na Band cinco dias antes. O candidato à presidência se esforçou para gerir seu tempo de fala, estruturar suas respostas e focar nas propostas de governo. Este foi o último debate antes do segundo turno, marcado para domingo, 25.
Diferente da Band, onde Flávio utilizou provocações e críticas diretas, na Globo ele moderou seu comportamento. Essa mudança reflete uma estratégia da campanha, que orientou o senador a dedicar mais tempo às suas propostas e a se conectar com eleitores indecisos.
A equipe de Flávio avaliou positivamente sua participação na Band, mas notou que ele poderia ter abordado questões relacionadas ao governo federal, especialmente nas áreas econômica e de segurança pública, de forma mais eficaz. No debate da Globo, Flávio respondeu a questionamentos de Lula e direcionou críticas ao presidente, mas algumas discussões acabaram consumindo tempo que poderia ser usado para outros temas.
Um exemplo disso foi a questão do Banco Master, quando Lula confrontou Flávio sobre um financiamento de R$ 134 milhões para um projeto relacionado ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio defendeu-se, mas a equipe considerou que a questão poderia ter sido explorada de maneira diferente, com foco nas relações políticas envolvidas.
Na área econômica, Flávio criticou os altos preços dos alimentos e apresentou propostas para aliviar o endividamento das famílias. Em segurança pública, sugeriu aumentar as penas para membros de organizações criminosas e ampliar o sistema prisional. A preparação para o debate contou com a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que ajudou a estruturar as propostas.
Flávio começou o debate cobrando de Lula explicações sobre obras paradas no país, citando um levantamento do Tribunal de Contas da União que aponta mais de 11,5 mil projetos inacabados. Lula respondeu que herdou cerca de 6 mil obras paradas e destacou o investimento de R$ 1,7 trilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O senador prometeu dar continuidade a projetos de infraestrutura e ampliar concessões, além de defender o acesso à internet em áreas remotas. A discussão também abordou o salário mínimo, onde Flávio criticou a ideia de que aumentos salariais isoladamente resolveriam as dificuldades financeiras das famílias, devido a impostos e juros altos.
Flávio também se posicionou sobre o Nordeste, afirmando que, se eleito, trabalharia em parceria com governadores da região. Ele mencionou a construção de uma ferrovia ligando Salvador a São Luís, além de prometer combater o crime organizado.
O Datafolha, em pesquisa divulgada no dia 23 de outubro, mostrou Flávio com 47% das intenções de voto e Lula com 46%, indicando um empate técnico. A pesquisa, que ouviu 2.520 eleitores entre 20 e 22 de outubro, mostrou também que 94% dos entrevistados estavam decididos sobre seu voto para o segundo turno.
O debate da Globo foi mediado por César Tralli e seguiu regras específicas para a movimentação dos candidatos, buscando evitar confrontos diretos, como os ocorridos na Band. A votação do segundo turno acontecerá no domingo, das 8h às 17h, e as campanhas tentam mobilizar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Fonte: Revista Oeste.









