Uma teoria conspiratória que relaciona o aumento do evangelismo na Ibero-América a uma suposta estratégia da CIA durante a Guerra Fria voltou a ser amplamente debatida nas redes sociais e no YouTube. Contudo, documentos recentemente desclassificados não oferecem suporte a essa narrativa.
Conforme reportado pelo site Evangélico Digital, essa teoria sugere que a CIA teria financiado e incentivado o evangelismo na América Latina e na Espanha como parte de sua estratégia geopolítica. O politólogo Santiago Armesilla é um dos principais defensores dessa ideia, chegando a solicitar a expulsão dos evangélicos da Espanha em suas publicações nas redes sociais: “As Igrejas Evangélicas devem ser expulsas da Espanha. Os evangélicos devem ser expulsos da Espanha. São cavalo de Troia do anglosionismo.”
Documentos desclassificados da CIA, no entanto, indicam que havia um interesse em monitorar a religião na América Latina, mas não existem evidências concretas que comprovem uma campanha para promover o evangelismo. O famoso “relatório Rockefeller” de 1969, frequentemente citado, apenas alertava sobre a vulnerabilidade da Igreja Católica a movimentos subversivos, sem qualquer recomendação para a promoção do evangelismo.
Além disso, os Documentos de Santa Fe, de 1980, que não foram elaborados pela CIA, mas por um grupo de assessores conservadores, também não trazem instruções para financiar igrejas evangélicas.
O antropólogo David Stoll afirma que o crescimento do evangelismo na América Latina possui raízes próprias, com muitos grupos atuando na região por várias décadas antes do seu aumento nas últimas décadas. Ele ressalta que a Igreja Católica também recebeu apoio internacional significativo e que os bispos latino-americanos adotaram práticas evangélicas em 1983.
O historiador César Vidal refuta a teoria conspiratória, destacando que a presença protestante na região remonta ao século XVI, muito antes da criação da CIA em 1947.
Fonte: Gospel Mais.










