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A Economia Argentina Sob Javier Milei: Sucessos e Desafios em Perspectiva Comparativa com o Brasil

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A redução de 32 mil empresas empregadoras na Argentina desde a posse de Javier Milei, em dezembro de 2023, tem sido usada por apoiadores de Lula como exemplo do fracasso da política econômica do país vizinho. Esse argumento foi rapidamente transportado para o Brasil, onde uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) poderia levar a um cenário semelhante de fechamento de empresas e desemprego.

Os dados da Superintendência de Riscos do Trabalho da Argentina revelam que, em novembro de 2023, havia cerca de 520 mil empregadores registrados, que caíram para aproximadamente 480 mil em julho de 2026, representando uma diminuição de 6,3%. No entanto, essa queda não reflete necessariamente o total de empresas fechadas, pois inclui novas aberturas e empresas que deixaram de registrar seus funcionários.

Mas a questão central é: o fechamento de empresas é um sinal inequívoco de fracasso econômico? Se sim, por que o mesmo critério não é aplicado ao Brasil?

A Argentina que Milei herdou estava submetida a décadas de intervencionismo e controles econômicos rigorosos. Muitas empresas operavam em um ambiente protegido, sem a pressão da concorrência externa, o que pode levar a uma reavaliação de sua viabilidade econômica quando essas barreiras são removidas.

Por outro lado, no Brasil, entre 2023 e 2025, surgiram aproximadamente 13,6 milhões de novas empresas, enquanto 7,8 milhões encerraram suas atividades, resultando em um saldo positivo de cerca de 5,8 milhões de CNPJs. Em 2025, foram registrados 5,06 milhões de novos CNPJs, contrastando com 2,80 milhões de baixas.

Entretanto, o aumento no número de registros não implica automaticamente um ambiente econômico favorável. Muitas novas inscrições são de microempreendedores individuais, que frequentemente não têm empregados. Além disso, a crescente quantidade de pedidos de recuperação judicial, que saltou de 833 em 2022 para 2.273 em 2024, revela que as empresas em operação também enfrentam sérias dificuldades financeiras.

A dinâmica econômica é complexa e, enquanto a Argentina passa por um processo de liberalização que pode resultar em fechamentos de empresas, o Brasil lida com a coexistência de novas aberturas e desafios de endividamento. Portanto, não se pode interpretar esses dados de forma isolada; é essencial considerar o contexto e as políticas econômicas em vigor.

Milei comprometeu-se a reduzir o desequilíbrio fiscal na Argentina, cortando gastos e subsídios, o que resultou em uma queda da inflação e uma redução significativa da pobreza. Em contraste, o governo Lula tem visto um aumento da dívida pública, com a dívida bruta crescendo de 72% do PIB em 2022 para 83% em agosto de 2026, além de uma carga tributária em ascensão.

A inflação no Brasil também preocupa, com índices superando as metas estabelecidas. Em 2023, o IPCA fechou em 4,6%, apenas para permanecer acima da meta em 2024 e 2025.

Em resumo, tanto a redução de empresas na Argentina quanto o crescimento no Brasil exigem uma análise cuidadosa e contextualizada. A simples contagem de empresas fechadas ou abertas não é suficiente para determinar o sucesso ou o fracasso de políticas econômicas, sendo necessário um olhar mais profundo sobre as condições que cercam esses números.

Fonte: Revista Oeste.