Mensagens trocadas pelo aplicativo WhatsApp mostram a interação constante entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Henrique Peretto desde 2019. Essa ligação sugere um envolvimento em fraudes na financeira BRK, que foi liquidada em fevereiro de 2023, resultando em um prejuízo de R$ 1,718 bilhão ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
De acordo com uma reportagem do jornal Valor Econômico, essas mensagens indicam que Vorcaro e Peretto trabalharam juntos para capitalizar a BRK com a finalidade de captar Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Os recursos obtidos eram redirecionados para fundos sob a gestão de Vorcaro.
A investigação aponta que Peretto atuava como o principal articulador na emissão de créditos sem lastro do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). As novas evidências indicam que as irregularidades se estendiam também à estrutura da BRK, e a Polícia Federal (PF) está analisando o material apreendido.
A dupla teria utilizado a financeira para aumentar a captação de CDBs, oferecendo retornos atrativos e a garantia do FGC. Posteriormente, a BRK direcionou os recursos captados para fundos geridos por Vorcaro, envolvendo a compra de precatórios com valores inflacionados. Esse modelo de operação era semelhante ao utilizado no Banco Master.
Em um memorando enviado a Vorcaro em 26 de outubro de 2021, Peretto comprometeu-se a investir R$ 60,9 milhões na BRK por meio da Dirua Participações. O acordo previa a indicação de R$ 600 milhões em créditos para avaliação da financeira.
As mensagens também revelam que Vorcaro fazia cobranças sobre os investimentos na estrutura do Master. Em uma comunicação de 22 de fevereiro de 2022, ele mencionou: “Você colocou capital lá para comprar 500 milhões de ativos do banco e não para resolver o problema de crédito deles.”
Documentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a falência da BRK confirmam os repasses mencionados nas conversas. Em dezembro de 2021, a BRK aplicou R$ 195 milhões no fundo Somália, que, por sua vez, transferiu os recursos para o fundo Formes. A auditoria não conseguiu validar a existência das garantias, levando o Banco Central a exigir a provisão integral do montante.
A defesa de Vorcaro contestou a autenticidade das mensagens reveladas, afirmando que são trechos descontextualizados. Em nota ao Valor, o ex-banqueiro se manifestou: “É absurdo ver frases pinçadas, conversas, áudios e prints descontextualizados falarem por mim, enquanto permaneço preso e sem o direito de falar oficialmente.”
Hoje, 15 de outubro, Vorcaro prestará novo depoimento à PF, onde será interrogado sobre as negociações entre o Banco Master e o BRB no âmbito da Operação Compliance Zero. As investigações indicam que entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB transferiu R$ 16,7 bilhões ao grupo Master, com indícios de fraude em R$ 12,2 bilhões desse montante.
Fonte: Revista Oeste.









