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Gilberto Kassab enfrenta reveses nas eleições de 2026 e questiona sua imagem de estrategista

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As eleições de 2026 trouxeram à tona a fragilidade da imagem de Gilberto Kassab como um grande estrategista político. O presidente do PSD viu suas principais candidaturas presidenciais fracassarem, a ampliação de sua bancada na Câmara não atingir as expectativas e aliados perderem disputas importantes para governos estaduais.

A derrota mais impactante ocorreu no Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes (PSD), considerado o favorito, ficou em segundo lugar com 42,76% dos votos, atrás de Douglas Ruas (PL), que obteve 49,27%. A anulação da votação de Anthony Garotinho (Republicanos) beneficiou diretamente o candidato da direita.

Em Minas Gerais, a filiação de Mateus Simões ao PSD não conseguiu unir a direita, resultando em um quarto lugar com apenas 4,63%, enquanto Cleitinho (Republicanos) venceu no primeiro turno. Em Pernambuco, a vitória da governadora Raquel Lyra (PSD) foi atribuída à sua capacidade de se distanciar dos palanques nacionais.

No Paraná, Ratinho Jr. (PSD), mesmo sendo um dos governadores mais populares do Brasil, retirou-se da corrida presidencial e não conseguiu eleger seu sucessor, que ficou em segundo lugar com 25% dos votos, perdendo para Sergio Moro (PL).

A trajetória de Kassab como líder do Centrão começou a se deteriorar no ano anterior, quando insistiu na candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como uma terceira via para a Presidência. Após essa tentativa frustrada, ele descartou apoiar Flávio Bolsonaro (PL) e acabou formando uma lista de presidenciáveis composta por Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, mas sem resultados animadores.

Na disputa interna, Kassab, que se lançou como candidato a vice de Caiado, terminou com apenas 2,18% dos votos, enquanto Flávio e Lula dominavam a preferência popular, somando mais de 92% dos votos válidos.

A polarização política no Brasil revelou-se mais forte do que a estrutura partidária do PSD, que ficou atrás de candidatos como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão). Em agosto, Kassab havia afirmado que as chances de Flávio eram “zero” e associou a neutralidade do Centrão ao favoritismo de Lula.

Na Câmara, o PSD conquistou 43 cadeiras, uma leve melhora em relação às 42 em 2022, mas ainda distante da expansão esperada, especialmente em comparação ao PL, que elegeu 121 deputados.

Em contraste, o PSD teve um desempenho mais favorável nas eleições municipais de 2024, elegendo 891 prefeitos. Kassab acreditava que a polarização teria um impacto menor nas disputas locais, mas sua expectativa se mostrou equivocada.

A neutralidade do PSD no segundo turno das eleições, que preservou alianças com partidos como o PT na Bahia, não impediu que outros membros do Centrão se alinhassem com Flávio Bolsonaro. A dispersão interna do partido mostra as dificuldades em conciliar projetos presidenciais e estaduais.

Kassab, que já sonhou com a candidatura de Rodrigo Pacheco à presidência, viu seu projeto ruir. O PSD venceu quatro governos no primeiro turno, mas a situação atual levanta questões sobre a capacidade do Centrão de transferir votos em nível nacional, evidenciando a perda de poder de Kassab na condução do processo sucessório.

Fonte: Gazeta Do Povo.