A Polícia Federal decidiu convocar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, para prestar depoimento apenas após o segundo turno das eleições. A medida foi tomada em razão da complexidade da análise do celular da lobista Roberta Luchsinger, apreendido em dezembro de 2025, e visa evitar que informações afetem o processo eleitoral atual, enquanto Lulinha está na Espanha.
O celular de Roberta Luchsinger foi confiscado durante a Operação Sem Desconto, que investiga fraudes milionárias contra o INSS. Apesar de Lulinha não ser um dos alvos dessa investigação, mensagens encontradas no aparelho o identificam como sócio de Roberta, discutindo negócios com empresários em contratos públicos. A perícia é considerada complexa devido ao extenso volume de dados, o que justifica o tempo prolongado da investigação.
O nome de Lulinha aparece em três inquéritos diferentes no Supremo Tribunal Federal (STF), todos sob sigilo. Dois deles estão sob a supervisão do ministro André Mendonça, embora temporariamente tenham sido enviados a Edson Fachin. Um dos inquéritos investiga tentativas de viabilizar contratos de cannabis medicinal no Ministério da Saúde, enquanto o outro foca em lavagem de dinheiro e organização criminosa em contratos de tecnologia. O terceiro inquérito, conduzido pelo ministro Flávio Dino, examina sua atuação em contratos com a Dataprev e investiga possíveis vazamentos de informações sigilosas.
As mensagens analisadas revelam movimentações financeiras que envolvem pessoas próximas ao presidente. Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete da Presidência, teria recebido R$ 250 mil de Roberta, alegando ser um empréstimo já quitado. Swedenberger Barbosa, atual chefe de gabinete adjunto, também foi mencionado, tendo recebido presentes da lobista, como um relógio e uma pintura. Além disso, servidores do Ministério do Desenvolvimento Social teriam recebido depósitos antes da celebração de contratos de R$ 50 milhões representados por Roberta.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade, afirmando que ele atua apenas no setor privado e questiona a autenticidade das mensagens, alegando que são fruto de vazamentos criminosos. A defesa de Roberta Luchsinger também critica a divulgação das informações sob sigilo, defendendo sua atuação como assessoria legítima. O presidente Lula tem se distanciado do caso, afirmando que seu filho deve se defender sozinho e qualificando a lobista como “pilantra”, apesar de fotos deles juntos em 2022 circularem nas redes sociais.
Fonte: Gazeta Do Povo.









