No dia 31 de julho de 2023, Andrei Rodrigues, indicado por Flávio Dino para a direção-geral da Polícia Federal, fez declarações contundentes ao afirmar que havia liderado “a maior prisão da história do mundo”. Ele se referia à detenção de mais de 2 mil pessoas após os eventos de 8 de janeiro, muitos dos quais eram cidadãos comuns, trabalhadores, sem antecedentes criminais e, em sua maioria, de baixa renda.
Rodrigues expressou orgulho em ter mobilizado forças de segurança contra um grupo desarmado, que incluía idosos e crianças, e até animais de estimação. Essa atuação foi criticada como um exemplo de “terrorismo de Estado”. O termo foi utilizado por críticos que alegam que as prisões foram desproporcionais e motivadas por questões políticas.
Nos dias seguintes aos eventos, as audiências de custódia dos detidos ocorreram, mas os juízes locais, considerados meros instrumentos de Alexandre de Moraes, não tinham autonomia para decidir sobre os casos. As prisões eram mantidas com base em critérios ideológicos, como revelado pela investigação “Vaza Toga 2”. Aqueles que tinham expressado opiniões contrárias ao governo ou ao STF estavam sujeitos a severas punições.
Um exemplo emblemático foi o caso de um homem que foi detido por afirmar nas redes sociais que “fazer cumprir a Constituição não é golpe”. Essa abordagem, segundo o jurista André Marsiglia, representava uma forma de “eugenia ideológica”, onde a ideologia política definia o destino dos cidadãos.
O ex-presidente, ao criticar as classificações de integrantes de grupos criminosos como “terroristas”, insinuou que o verdadeiro terrorismo ocorreu em 8 de janeiro, mas atribuiu a responsabilidade às autoridades que conduziram as prisões, como Andrei Rodrigues e seus aliados. A narrativa sugere que os verdadeiros perpetradores do terrorismo de Estado serão responsabilizados no futuro, possivelmente em tribunais internacionais.
Fonte: Revista Oeste.









