Associações de juízes de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul manifestaram descontentamento em relação às declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que caracterizou o atual momento como “o mais corrupto da história do Judiciário”. A fala ocorreu durante a sessão do STF na terça-feira (15).
A Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC) destacou que não se pode generalizar casos isolados para desviar a atenção de questões restritas à “cúpula de Brasília”. A juíza Janiara Maldaner Corbetta, presidente da AMC, afirmou que tais generalizações prejudicam a confiança nas instituições e ignoram o trabalho sério realizado pelos magistrados.
Por sua vez, a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) também expressou repúdio à declaração de Dino, ressaltando que a associação de irregularidades a todo o Judiciário é inadequada. O presidente da Ajuris, Daniel Neves Pereira, destacou que as suspeitas devem ser tratadas como casos específicos e não como uma crítica generalizada à magistratura.
A ministra Cármen Lúcia, que também participou da sessão, reforçou a importância de um Judiciário que traga tranquilidade ao povo, pedindo uma atuação responsável dos membros da corte. A Ajuris pediu que o STF preserve a credibilidade do Judiciário, que foi construída ao longo de sua história e é sustentada pelo trabalho de mais de 19 mil juízes no Brasil.
A crítica de Dino aconteceu em um contexto de disputa sobre a relatoria de processos importantes, com o ministro argumentando que a captura de relatorias poderia abrir espaço para práticas inadequadas nos tribunais. Ele se dirigiu ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, para afirmar que a venda de sentenças não ocorre sem a presença de advogados envolvidos.
Dino também defendeu que o colega André Mendonça deveria continuar como relator de um processo específico, considerando que a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, era autoritária e não respaldada pela Constituição. O assunto está sob análise e o ministro solicitou vista, o que suspendeu a votação.
Fonte: Gazeta Do Povo.










