Uma análise realizada a pedido da defesa da produtora Karina da Gama revelou que os recursos investidos no filme Dark Horse têm origem exclusivamente privada. O laudo, que confirmou um total de US$ 13,3 milhões em investimentos, indica que essas quantias foram movimentadas de forma formal e podem ser rastreadas através da documentação fornecida.
De acordo com o perito Anísio Costa Castelo Branco, o documento não encontrou evidências de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos relacionados ao filme. Também não foram identificados patrocínios, sejam estes de origem pública ou privada, como os provenientes de incentivos fiscais, como a Lei Rouanet.
Esse laudo surge no contexto da investigação sobre o caso Master, que foi recentemente desclassificado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. O ministro decidiu tornar públicos mais de 50 processos relacionados à investigação, que inclui o uso de emendas parlamentares do deputado Mário Frias na cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O laudo detalha que a produção do filme consistiu em um investimento privado de US$ 3,7 milhões no Brasil e US$ 9,6 milhões nos Estados Unidos, sendo o principal investidor o Havengate Development Fund, um fundo imobiliário do Texas. A investigação sob a relatoria de Mendonça examina a conexão financeira envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, que é dono do Banco Master.
Na última quarta-feira (9), Mendonça homologou um acordo de delação premiada com o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, que é proprietário da Entre Investimentos. Essa empresa transferiu US$ 12,3 milhões ao Havengate a pedido de Vorcaro, conforme revelam mensagens obtidas durante as investigações, nas quais Flávio Bolsonaro cobrava Vorcaro sobre pagamentos relacionados ao patrocínio.
Além disso, o caso inclui uma investigação sobre emendas parlamentares associadas a Karina, que preside o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado Mário Frias para projetos sociais. Também foram identificadas emendas de outros parlamentares que totalizam R$ 2,6 milhões para a Academia Nacional de Cultura (ANC), outra entidade presidida por Karina.
Por fim, a Polícia Civil de São Paulo investiga um contrato de R$ 108 milhões entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo, destinado à instalação de 5 mil pontos de Wi-Fi gratuito na cidade. Esse contrato gerou controvérsias, principalmente devido a irregularidades apontadas pelo Tribunal de Contas do Município, que recomendou a suspensão do edital por diversos problemas.
Fonte: Gazeta Do Povo.