A Transparência Internacional solicitou, nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, o afastamento imediato do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A entidade argumenta que há um risco significativo de interferência em investigações após a divulgação de mensagens e encontros do magistrado com o proprietário do Banco Master.
O pedido da Transparência Internacional se baseia em documentos que revelam reuniões realizadas na residência de Moraes e discussões sobre um evento em Londres patrocinado pelo Banco Master. A organização acredita que a permanência do ministro em seu cargo prejudica a busca por justiça e a confiança pública nas instituições. Além disso, o comunicado destaca que autoridades que obstruem processos de punição, como possíveis impeachment no Senado, também devem ser investigadas e afastadas.
As acusações contra Moraes ganharam força após a quebra do sigilo de relatórios da Polícia Federal, que mencionam contratos do escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master. Metadados indicam que Moraes teria feito alterações em um desses documentos. Mensagens reveladas mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro solicitou ao ministro que atuasse para amenizar pressões do Ministério Público e do Banco Central.
Em meio a essas investigações, Moraes retaliou as revelações feitas por seu colega, o ministro André Mendonça, utilizando o inquérito das fake news. Ele mandou que a Polícia Federal entregasse todos os relatórios que mencionassem membros do STF e acusou Mendonça de parcialidade nas operações Compliance Zero e Sem Desconto, alegando que ele estaria escolhendo alvos de acordo com interesses políticos.
A Polícia Federal, por sua vez, apresentou um relatório que acusa Mendonça de omitir etapas essenciais da investigação ao ordenar que provas fossem enviadas diretamente ao seu gabinete, sem validação prévia por um delegado. Essa prática é considerada arriscada, pois compromete a ‘cadeia de custódia’ das evidências.
O clima tenso no STF e as recentes revelações destacam a complexidade das relações entre os ministros e a necessidade de se garantir a integridade das investigações em andamento.
Fonte: Gazeta Do Povo.









