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Brasil adota cédula única de votação a 34 dias da eleição presidencial de 1955

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Em 30 de agosto de 1955, o Brasil implementou um novo modelo de votação ao instituir a cédula única para as eleições de presidente e vice-presidente, a apenas 34 dias do pleito que levaria Juscelino Kubitschek ao cargo. A mudança foi oficializada pela Lei 2.582, sancionada pelo presidente Café Filho.

Antes dessa inovação, os candidatos e seus partidos eram responsáveis pela impressão e distribuição das cédulas, o que gerava problemas de segurança e sigilo no voto. O então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edgard Costa, defendeu a adoção de uma cédula oficial, que se tornaria uma solução para a falta de uniformidade e a possibilidade de identificação do voto. A nova cédula deveria, inclusive, funcionar como um envelope, dificultando a identificação do eleitor.

A pressão para a mudança era intensa, já que a eleição estava marcada para 3 de outubro. No dia seguinte à sanção da lei, o TSE começou a emitir orientações sobre a nova cédula. Contudo, a novidade se aplicaria apenas à eleição presidencial e vice-presidencial, pois não havia tempo para que as cédulas oficiais fossem providenciadas para outros cargos que seriam disputados no mesmo dia.

Curiosamente, mesmo após a nova legislação, os partidos ainda puderam imprimir e distribuir suas cédulas, desde que seguissem o modelo oficial. Isso significava que os eleitores poderiam encontrar tanto a cédula oficial nas seções eleitorais quanto aquelas entregues por candidatos nas ruas.

Na eleição realizada em 3 de outubro, Juscelino Kubitschek foi o primeiro presidente a ser eleito utilizando a cédula única, recebendo 35,68% dos votos. João Goulart, por sua vez, conquistou a vice-presidência com 44,25% dos votos, sem a necessidade de um segundo turno.

A nova cédula, embora tenha sido um avanço, também enfrentou turbulências políticas após a eleição, incluindo tentativas de impedir a posse dos eleitos. A cédula única, no entanto, se consolidou, sendo estendida a outras eleições em 1962 e evoluindo ao longo das décadas, até a introdução das urnas eletrônicas em 1996.

Fonte: Gazeta Do Povo.