Brasília — O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (30) a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apuração mira suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo o Ministério da Saúde.
O que está sendo investigado
Os investigadores querem saber se Lulinha atuou para favorecer a empresa World Cannabis, pertencente ao empresário Daniel Vorcaro, conhecido como “Careca do INSS”. Até o momento, o vínculo confirmado é uma viagem a Portugal paga pelo empresário ao filho do presidente.
Motivo da investigação separada
Mendonça determinou que o caso tramite em processo autônomo, desvinculado do inquérito principal que apura fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Segundo o ministro, a medida busca preservar a “regularidade processual” e evitar que diferentes temas se confundam, o que poderia levar à anulação de provas no futuro.
Clima de tensão entre STF e Polícia Federal
No despacho que autorizou o inquérito, o ministro reiterou à Polícia Federal a exigência de ser comunicado imediatamente sobre qualquer diligência relevante e sobre eventuais mudanças na equipe de delegados. Fontes da PF afirmam que a cobrança é vista como controle excessivo; a corporação alega escassez de pessoal e sobrecarga de trabalho para atender às demandas do tribunal.
Defesa alega “pesca probatória”
Os advogados de Lulinha acusam a investigação de ser uma fishing expedition — expressão usada quando se busca provas sem indícios concretos prévios. A defesa sustenta que não há relação entre o filho do presidente e as irregularidades no INSS e que o novo inquérito seria uma tentativa de ampliar indevidamente as apurações.
O inquérito da Polícia Federal vai apurar se houve vantagem indevida à World Cannabis dentro do Ministério da Saúde e qual teria sido a participação de Lulinha nessas supostas tratativas.
Com informações de Gazeta do Povo