Assunção, 31 jul. 2026 – O governo do Paraguai entregou nesta sexta-feira (31) uma nota oficial de repúdio ao embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, em reação a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra da Tríplice Aliança (1864-1870).
No documento, assinado pelo chanceler paraguaio, Rubén Ramírez, e pelo vice-presidente do país, Pedro Alliana, o Palácio das Relações Exteriores classificou as falas de Lula como “distorção” de um episódio histórico “de singular importância para o povo paraguaio”.
Além da manifestação de desagrado, o texto solicita a devolução de troféus de guerra, documentos e outros bens históricos que permaneceram no Brasil desde o século XIX.
Fala que desencadeou a crise
Na semana anterior, durante visita à fábrica da empresa de defesa Avibras, em São José dos Campos (SP), Lula afirmou que o Brasil “valoriza a paz”, mas não poderia “esquecer que um dia o Paraguai decidiu invadir” território brasileiro, referência ao conflito travado por Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai no século XIX.
As palavras do presidente motivaram, na quinta-feira (30), a convocação do embaixador brasileiro para prestar esclarecimentos ao Ministério das Relações Exteriores paraguaio. Um dia depois, veio a nota formal de protesto.
Chamado ao diálogo
Ao ler o posicionamento à imprensa, o vice-presidente Alliana afirmou que “eventos que marcaram profundamente a história dos nossos povos devem ser tratados com responsabilidade e espírito de reconciliação, baseados no respeito mútuo e no reconhecimento da complexidade dos processos que determinaram seu desenvolvimento”.
O Itamaraty ainda não divulgou resposta pública ao protesto de Assunção.
Com informações de Gazeta do Povo