Teerã – A escalada do conflito com Estados Unidos e Israel empurrou a economia iraniana para o pior cenário em oito décadas. Dados do Centro de Estatísticas do Irã mostram que a inflação acumulada em 12 meses saltou de 39,4% em junho de 2025 para 88,6% no mês passado, nível não registrado desde a Segunda Guerra Mundial.
Preços de alimentos triplicam em um ano
Levantamento do site iraniano Rajanews, repercutido pela emissora CNN, aponta que, desde a posse do presidente Mahmoud Pezeshkian, em julho de 2024, os preços dos alimentos triplicaram. O portal Khabar Online acrescenta que o óleo vegetal ficou 431% mais caro e os ovos subiram 342% no mesmo período.
Trump fala em “inflação de 300%”
Em entrevista à CNBC no início de julho, o presidente norte-americano Donald Trump estimou que a inflação acumulada dos últimos anos no Irã alcança 300%. Ele afirmou que pretende direcionar parte dos recursos iranianos bloqueados para subsidiar exportações agrícolas dos Estados Unidos ao país persa, caso as negociações avancem.
PIB em queda livre
O Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que o Produto Interno Bruto iraniano encolheu 1,5% em 2025, quando Teerã já era alvo de ataques pontuais. Para este ano, a projeção é de retração de 6,1%.
A emissora Iran International informa que apenas 37% dos iranianos em idade ativa têm emprego. Já a Fundação para a Defesa das Democracias (FDD), think tank sediado em Washington, estima em US$ 144 bilhões — cerca de 40% do PIB pré-guerra — o prejuízo econômico decorrente da campanha militar iniciada em fevereiro.
Crise vem de antes da guerra
Em artigo de junho, os pesquisadores da FDD Daniel Swift e Miad Maleki lembraram que o Irã já enfrentava décadas de má gestão, corrupção e sanções internacionais. Segundo eles, o crescimento médio foi pouco superior a 1% ao ano nas últimas duas décadas, enquanto a moeda local perdia valor e a inflação já superava 50% antes dos bombardeios.
Especialista vê reforma condicionada a acordo com EUA
Para a professora Natali Hoff, do curso de Relações Internacionais da PUCPR, além das sanções, pesam fatores internos como investimentos concentrados no setor militar, práticas clientelistas e dependência de grandes estatais. Ela destaca ainda problemas estruturais, como o uso excessivo de recursos hídricos subterrâneos.
Hoff avalia que protestos em larga escala só devem ocorrer após o fim das hostilidades, quando a população terá de lidar com “problemas crônicos” somados aos danos de infraestrutura causados pelos ataques. Segundo a especialista, eventuais reformas econômicas dependerão de algum alívio nas sanções, o que exigiria acomodação nas relações com Washington.
Com informações de Gazeta do Povo