Abuja, Nigéria – A Nigéria vive uma das mais intensas ondas de agressões contra comunidades cristãs já registradas no país. Entre janeiro e junho de 2026, ao menos 2.550 fiéis foram assassinados e cerca de 2.800 pessoas sequestradas, segundo a Sociedade Internacional para as Liberdades Civis e o Estado de Direito.
Apesar da barbárie, a fé cristã continua a se expandir. O país, que reúne mais de 230 milhões de habitantes, já tem aproximadamente 45% de cristãos – a maior população cristã da África e a quarta do mundo, com mais de 109 milhões de seguidores.
Destruição de templos e deslocamentos
O mesmo levantamento indica a destruição ou abandono de 300 igrejas, sobretudo nos estados de Benue, Plateau, Kaduna, Taraba, Adamawa e Nasarawa. Mesmo desalojadas, as comunidades mantêm cultos em campos de refugiados e áreas consideradas seguras.
Grupos responsáveis pelos ataques
Análise do Observatório para a Liberdade Religiosa na África (ORFA) atribui a maior parte das execuções às milícias Fulani. Na sequência aparecem os grupos extremistas Boko Haram e Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), além de quadrilhas especializadas em extorsão e sequestro.
Os ataques, frequentemente marcados por extrema violência, ocorrem durante celebrações religiosas como cultos dominicais, vigílias, casamentos, funerais, Natal e Páscoa. Há relatos de uso de rifles de assalto, facões, explosivos e incêndios criminosos em templos repletos de fiéis – tática recorrente do Boko Haram.
Crescimento da fé cristã
Dados do Pew Research Center apontam aumento de 25% na população cristã nigeriana na última década. A projeção é chegar a 211 milhões de fiéis em 2050. Especialistas comparam o fenômeno à dispersão dos primeiros cristãos, quando a perseguição acelerou a difusão do evangelho.
Apelo nos fóruns internacionais
Em sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, a representante do Conselho Cristão Internacional, Jolanda Schothorst, denunciou a escalada da violência e cobrou do governo nigeriano ações eficazes para proteger minorias religiosas e punir agressores. Portas Abertas, International Christian Concern e Global Christian Relief também classificam os ataques como parte de um padrão sistemático de perseguição religiosa.
Enquanto a violência persiste, comunidades deslocadas reorganizam suas rotinas para manter a prática religiosa, reforçando o paradoxo que se repete em todo o país: quanto maior a perseguição, maior o crescimento da fé.
Com informações de Folha Gospel