Washington (29.jul.2026) – Milhares de páginas do diário pessoal de Anthony Fauci, divulgadas nesta quarta-feira (29) pelo senador republicano Rand Paul, revelam detalhes dos bastidores da pandemia de Covid-19 entre 2019 e 2022. Os registros mostram o relacionamento conflituoso de Fauci com o então presidente Donald Trump e documentam discussões reservadas sobre a possibilidade de o coronavírus ter escapado de um laboratório em Wuhan, na China.
Relação com Trump degringola
No início da crise sanitária, o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas descreveu reuniões cordiais com Trump. Porém, as anotações indicam rápida deterioração do clima: Fauci reclamou de “conversas desconexas” e da insistência do presidente em minimizar a gravidade da doença. Em um trecho, qualificou Trump como “um adolescente detestável” e manifestou preocupação com o apoio de senadores republicanos às alegações de fraude eleitoral em 2020, temendo uma “crise constitucional”.
Laboratório de Wuhan em pauta sigilosa
Os cadernos também registram ligações de cientistas que alertavam para a hipótese de manipulação ou vazamento acidental do vírus no Instituto de Virologia de Wuhan. Apesar de ter rotulado publicamente a ideia como “teoria da conspiração”, o médico anotou que promoveu reuniões fechadas sobre o assunto. Em um dos apontamentos, admitiu que o mercado de animais em Wuhan “pode ter sido apenas um amplificador”, e não a origem da infecção.
Acusações de Rand Paul
Rand Paul sustenta que a pandemia começou com um vazamento laboratorial e alega que Fauci travou investigações para proteger a narrativa de transmissão natural de animais para humanos. O senador afirma que os diários provam que o ex-conselheiro médico “enganou o Congresso e o público” ao não dar espaço igual às duas hipóteses.
Blindagem jurídica
Embora enfrente pressão política, Fauci não corre risco imediato de processo federal: antes de deixar a Casa Branca, o ex-presidente Joe Biden concedeu-lhe um indulto, que o protege de ações relacionadas ao período pandêmico. Durante audiência no Senado nesta quarta-feira, o cientista recorreu à Quinta Emenda da Constituição dos EUA para evitar respostas que pudessem incriminá-lo.
As anotações tornadas públicas alimentam as investigações conduzidas por comissões do Senado sobre possíveis omissões de autoridades americanas na origem e no manejo da crise sanitária.
Com informações de Gazeta do Povo