O anúncio, na noite de 15 de julho, de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deslocou o foco do Palácio do Planalto das negociações comerciais para a arena eleitoral de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a atribuir a medida à suposta articulação da família Bolsonaro com o governo Donald Trump, enquanto a oposição sustenta que a taxação é consequência de uma condução diplomática “hostil” do lado brasileiro.
Governo fala em “defesa da soberania”
Logo após a confirmação do tarifaço, Lula declarou que o Brasil reagirá “em defesa da soberania”, prometendo socorro a setores afetados e eventual retaliação comercial. Em nota, o petista classificou a conclusão da investigação baseada na Seção 301 como “enredo construído com a ativa colaboração da família Bolsonaro” e chamou os adversários de “falsos patriotas”.
Flávio contesta e diz ter buscado acordo
Pré-candidato ao Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rebateu, afirmando que sempre trabalhou para evitar o agravamento da crise e que a sobretaxa deveria ser suspensa “e não usada como instrumento eleitoral”. Ele destacou ter pedido, em três reuniões com Trump, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado Marco Rubio, que as empresas brasileiras não fossem penalizadas.
Críticas de Washington e resposta do Itamaraty
Pelas redes sociais, Rubio acusou Lula de “não negociar de boa-fé” e de colocar o “próprio ego à frente de um acordo”. O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, classificou as declarações como “ofensivas” e afirmou que o Brasil não se curvará a “pretensões desmedidas” dos Estados Unidos.
Campanha envolve aliados e slogans
Com a comunicação oficial sob comando de Sidônio Palmeira, o governo adotou o lema “O Brasil é dos brasileiros” em propagandas, bonés e redes sociais. Ministros como Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Marina Silva (Meio Ambiente) associaram o tarifaço a “ataques econômicos” movidos por interesses políticos. Parlamentares da base, entre eles Lindbergh Farias (PT-RJ) e Érica Hilton (PSOL-SP), chamaram a família Bolsonaro de “traidora da pátria”. Já o ex-ministro José Dirceu cobrou posicionamento do governador paulista Tarcísio de Freitas.
Impacto econômico e pausa nas negociações
As novas tarifas afetam cerca de 25% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Segundo fontes nos dois governos, tratativas técnicas devem ser retomadas apenas após as eleições brasileiras. Enquanto isso, o Planalto sinaliza acionar a Lei da Reciprocidade Econômica e criar linhas de apoio aos exportadores.
Especialistas veem uso eleitoral do impasse
O ex-diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, disse à CNN Brasil que o debate técnico foi “capturado” pela estratégia de reeleição de Lula. Para o cientista político Paulo Kramer, o petista revive um discurso antiamericano e transforma a crise em instrumento de mobilização.
Com o tarifário convertido em tema central da campanha, governistas acusam os Bolsonaro de facilitar sanções, enquanto a oposição põe na conta de Lula a escalada das tensões — cenário que deve dominar a disputa até outubro de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo