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EUA aplicam tarifa de 25% sobre importações do Brasil e pressionam por mudanças internas

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Washington — O governo dos Estados Unidos confirmou, na quarta-feira (15), a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das compras de produtos brasileiros. Cerca de 2,1 mil itens foram poupados da medida, que entra em vigor imediatamente.

Por que a Casa Branca decidiu taxar o Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) listou uma série de razões para o tarifaço: decisões judiciais brasileiras que derrubam conteúdos em redes sociais norte-americanas, suposta preferência ao Pix em detrimento de outros meios de pagamento, tarifas consideradas desleais, falhas no combate à corrupção, deficiência na proteção à propriedade intelectual e insuficiência de ações contra o desmatamento ilegal.

De acordo com assessores do presidente Donald Trump, a sobretaxa também pretende forçar o governo brasileiro a rever políticas internas, repetindo a estratégia usada com outros parceiros comerciais.

Casos anteriores influenciaram a iniciativa

No ano passado, após encontro na Coreia do Sul com Xi Jinping, Trump reduziu tarifas contra a China quando Pequim concordou em liberar exportação de terras raras, cessar retaliações a fabricantes de semicondutores dos EUA e abrir o mercado para produtos agrícolas norte-americanos. Processo semelhante ocorreu no início de 2026 com a Índia, que ganhou alívio tarifário após interromper a compra de petróleo russo.

Busca por novos instrumentos legais

A ofensiva contra o Brasil surge depois de a Suprema Corte dos EUA anular, em fevereiro, tarifas aplicadas a 184 países sob a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (Ieepa). Para contornar a decisão, Trump lançou uma tarifa global temporária de 10%, válida até 24 de julho, e passou a explorar outras bases jurídicas, como a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 — usada agora contra o Brasil — e a Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962, que permite sobretaxas por motivos de segurança nacional.

Dados do Tesouro norte-americano apontam que reembolsos tarifários, estimulados pela decisão da Suprema Corte, contribuíram para um déficit de US$ 120 bilhões em junho, ante superávit de US$ 27 bilhões no mesmo mês de 2025. As restituições somaram US$ 71 bilhões em maio e junho, o equivalente a 42% dos US$ 166 bilhões sujeitos a devolução.

Nova lista de alvos e possíveis sanções futuras

Além do acréscimo de 25% contra o Brasil, o USTR sugeriu uma tarifa extra de 12,5% a outras 59 nações que, segundo o órgão, falham no combate ao uso de trabalho forçado. A administração Trump também estuda apoiar um pacote de sanções que sujeitaria à tarifa países que continuem comprando petróleo, urânio ou gás natural da Rússia.

Especialistas veem recado sobre segurança jurídica

Para Márcio Coimbra, ex-diretor da Apex-Brasil, a medida evidencia “esgotamento da paciência americana” com interferências judiciais em contratos privados e com a fragilidade do combate à pirataria no Brasil. Já a tributarista Adriana Melo destaca que, embora produtos de aço e alumínio fiquem fora da nova lista por já estarem enquadrados na Seção 232, continuam sujeitos a alíquotas de até 50% sob esse outro dispositivo.

Reação do governo brasileiro

Em nota, Brasília prometeu apoio financeiro a setores afetados e sinalizou possíveis medidas de reciprocidade. Analistas, porém, alertam que retaliações podem elevar custos para empresas brasileiras integradas a cadeias globais de valor.

As tarifas anunciadas nesta quarta-feira são mais um capítulo da política comercial de Donald Trump, que busca alavancar instrumentos jurídicos diversos para negociar concessões de parceiros e proteger interesses considerados estratégicos pelos Estados Unidos.

Com informações de Gazeta do Povo