Washington — O governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, intensificou a liberação de recursos para projetos de desenvolvimento na América Latina com o objetivo de reduzir a presença estratégica de China e Rússia na região. A iniciativa faz parte de uma política de segurança nacional que ganhou impulso após vitórias de governos de direita no continente.
USTDA reforça atuação regional
Segundo Thomas R. Hardy, diretor de Operações da Agência de Comércio e Desenvolvimento dos EUA (USTDA), a instituição foi reestruturada para ampliar sua presença no Hemisfério Ocidental. “Reorganizei a equipe, contratei mais funcionários e deixei clara a importância da região”, afirmou em coletiva de imprensa concedida à Agência EFE na semana passada.
Hardy prevê “crescimento significativo” do programa da USTDA na América Latina, que registrava expansão lenta havia anos.
Primeiros projetos em andamento
Em março, a USTDA assinou acordo com o presidente hondurenho Nasry Asfura para acelerar a construção de um corredor logístico interoceânico. O plano prevê ferrovia, modernização de portos e integração a rodovias de alta capacidade, com investimentos estimados entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões.
Outro foco norte-americano é a expansão da energia nuclear civil. Neste mês, o governo argentino confirmou a instalação de um reator nuclear modular em Atucha, projeto que contará com capital dos Estados Unidos para atender à crescente demanda de data centers de inteligência artificial e reforçar a segurança energética local.
Moscou aposta no setor nuclear brasileiro
Enquanto Washington avança na Argentina, Moscou tenta fortalecer sua própria posição. A estatal russa Rosatom vê o Brasil como parceiro estratégico e busca ampliar a cooperação nuclear no país sul-americano, usando a tecnologia como instrumento de política externa.
Disputa se intensifica
Ao longo de duas décadas, Pequim tornou-se principal parceiro comercial de diversos países latino-americanos, financiando obras de infraestrutura, bancos de desenvolvimento e empréstimos de baixo condicionamento político. Já Moscou concentrou esforços em acordos militares com governos aliados, como Venezuela e Cuba.
A nova estratégia da Casa Branca — apelidada por analistas de “Doutrina Monroe 2.0” — pretende reverter esse quadro. Frederico Dias, professor de Relações Internacionais do Ibmec Brasília, explica que Washington busca “conter a influência chinesa” ao disputar obras como o megaporto de Chancay, no Peru, e segmentos estratégicos como a rede elétrica do Chile.
Efeitos sobre o Brasil
Dias avalia que o afastamento de “concorrentes extra-hemisféricos” impõe dilema ao Brasil, tradicionalmente adepto da diversificação de parcerias. Segundo ele, aceitar capital norte-americano pode significar menor pluralidade de alianças, porém garante acesso a tecnologia, mercados e acordos de segurança que Pequim ainda não oferece.
Minerais críticos na mira
A estratégia de Washington também inclui o acesso a minerais considerados essenciais. Em fevereiro, a gestão republicana firmou acordo com a Argentina para fornecimento e processamento de minerais críticos. O Brasil, dono de uma das maiores reservas de terras raras do mundo, passou a ser cortejado, embora o governo Lula (PT) demonstre resistência em firmar parcerias no setor.
Ainda em dezembro, Trump publicou uma nova Estratégia Nacional de Segurança que coloca a América Latina entre as prioridades dos Estados Unidos, confirmando o reposicionamento norte-americano diante do avanço de potências rivais na região.
Com informações de Gazeta do Povo










