10/07/2026 – A sucessão de vitórias eleitorais da direita na América do Sul tem reduzido o espaço político do Foro de São Paulo e motivado reações que vão de manifestações de rua ao questionamento de resultados oficiais.
Colômbia: transição suspensa
Na Colômbia, o presidente em fim de mandato, Gustavo Petro – cuja coalizão Pacto Histórico integra o Foro de São Paulo – recusou-se a reconhecer a vitória do direitista Abelardo de la Espriella. Petro convocou atos para 20 de julho, enquanto Espriella suspendeu o processo de transição, acusou o rival de planejar um golpe de Estado e pediu às Forças Armadas que garantam a ordem constitucional.
Bolívia: cerco a La Paz e uso de dinamite
Entre maio e junho, apoiadores do ex-presidente Evo Morales – também vinculado ao Foro – enfrentaram policiais em La Paz, exigindo a queda do recém-eleito presidente de direita Rodrigo Paz. Os protestos incluíram bloqueios de estradas, escassez de produtos na capital e até explosões de dinamite. Investigado por abuso sexual, Morales refugiou-se no Chapare, de onde conclamou uma “insurreição popular”. Paz reagiu decretando estado de emergência e ordenando a desobstrução das vias.
Especialistas veem padrão de contestação
O analista internacional Cezar Roedel, doutor em Filosofia pela PUCRS, observa um comportamento recorrente de segmentos ligados ao Foro: quando perdem espaço institucional, recorrem à contestação eleitoral ou à pressão de rua. Para Roedel, o caso colombiano reforça esse padrão, já que Petro também não reconheceu números preliminares na própria eleição colombiana quando aparecia atrás.
Roedel acrescenta que a onda conservadora sinaliza o esgotamento do projeto defendido pelo Foro de São Paulo: “O eleitor latino-americano está mais informado e cansado de promessas ideológicas que não trazem prosperidade”. Segundo ele, a perda de governos aliados reduz financiamento e influência diplomática da organização.
Ligação com regimes autoritários pesa
A associação do Foro a governos de Venezuela, Cuba e Nicarágua, além de antigos vínculos com grupos como as Farc e o ELN, acentua o desgaste, afirma Roedel. Fundado em 1990 por Lula e Fidel Castro, o grupo enfrenta “o momento mais desafiador” desde a criação, pontua o pesquisador.
Eleitor mais impaciente
Para Eduardo Galvão, professor do Ibmec Brasília, a mudança decorre sobretudo da redução da “janela de confiança” concedida pelos eleitores. “Quando segurança, economia e custo de vida não melhoram, cresce o espaço para a oposição, seja ela de esquerda ou de direita”, diz.
Novo mapa político
Entre 2023 e 2026, candidatos conservadores venceram na Argentina (Javier Milei), Paraguai (Santiago Peña), Equador (Daniel Noboa), Chile (José Antonio Kast), Bolívia (Rodrigo Paz), Peru (Keiko Fujimori) e Colômbia (Abelardo de la Espriella). Com a direita governando a maioria sul-americana, analistas preveem política externa mais pragmática, voltada a segurança, infraestrutura e aproximação com os Estados Unidos.
Embora especialistas descartem o desaparecimento imediato do Foro de São Paulo, derrotas sucessivas, perda de recursos e cobranças por resultados concretos colocam a organização sob pressão inédita em mais de três décadas de existência.
Com informações de Gazeta do Povo