Brasília – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou em 25 de junho de 2026 a remoção do ex-banqueiro Daniel Vorcaro da custódia na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, dentro do Complexo Penitenciário da Papuda.
Segundo documentos juntados ao processo, a decisão foi motivada por dois fatores centrais: risco de morte do investigado – apontado por autoridades como possível “queima de arquivo” – e falta de estrutura adequada da sede da PF para manter detentos de alta periculosidade por longo período.
Mudança após delação frustrada
A transferência ocorre poucas semanas depois de a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitarem, pela segunda vez, proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro. Investigadores avaliaram que Vorcaro pretendia validar apenas fatos já comprovados por perícias em celulares e documentos apreendidos durante a Operação Compliance Zero, não oferecendo informações novas.
Com o fim das negociações e manutenção da prisão preventiva decretada em março, agentes identificaram maior vulnerabilidade do réu. Fontes relatam que, ao demonstrar intenção de colaborar, Vorcaro e familiares passaram a sofrer ameaças não detalhadas nos autos.
Precedentes de risco
O temor de morte ganhou força quando um colaborador identificado pelo apelido “Sicário”, apontado como membro de um grupo de espionagem a serviço do banqueiro, tentou suicídio dentro da Superintendência da PF em Minas Gerais e morreu dias depois. O episódio reforçou o alerta entre investigadores sobre possíveis pressões para silenciar envolvidos.
Impasses na custódia
Em manifestação ao STF, a PF no Distrito Federal afirmou que suas instalações não foram projetadas para detenções prolongadas em condições de alto risco. Ao mesmo tempo, a colocação de Vorcaro em presídio comum foi descartada pela PF e pela PGR por dois motivos:
- Integridade física: exposição a outros presos sem controle específico poderia potencializar ameaças;
- Integridade da investigação: cadeias comuns facilitariam comunicação externa e destruição de provas.
A defesa também pleiteou prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, hipótese rejeitada pelo ministro, que considerou incompatível com a gravidade dos fatos investigados.
Condições impostas na Papudinha
No 19º Batalhão da PM, Vorcaro permanece isolado de outros detentos ligados à Operação Compliance Zero. A decisão ordena incomunicabilidade absoluta e exige que qualquer ameaça, coação ou tentativa de interferência seja comunicada de imediato ao STF. A medida transforma os militares encarregados da guarda em “linha direta” com o tribunal.
Conforme investigadores, a operação avançou cerca de 15% até agora, e autoridades avaliam que a vida do ex-banqueiro é peça-chave para esclarecer dados ainda em análise técnica.
Vorcaro seguirá no batalhão especial enquanto não houver nova deliberação judicial sobre seu regime de custódia.
Com informações de Gazeta do Povo