McAllen (EUA) – A irmã Leticia Ugboaja, integrante da congregação Filhas de Maria, Mãe da Misericórdia, foi detida por agentes do Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos (ICE) na manhã de 28 de junho, enquanto caminhava para a missa na Igreja Nossa Senhora das Dores, em McAllen, cidade vizinha à fronteira com o México.
Vestindo o hábito religioso, a freira – que também trabalha como enfermeira registrada no Texas – foi algemada e levada sob custódia por suposta violação das leis migratórias. Segundo porta-vozes do ICE, não há mais restrições que impeçam operações em locais de culto, e “qualquer pessoa em situação irregular pode ser detida”.
Intervenção de congressistas
A notícia da prisão se espalhou rapidamente pelas redes sociais da paróquia e chegou ao Congresso norte-americano. Os deputados federais Monica de la Cruz e Henry Cuellar contataram a cúpula do Departamento de Segurança Interna. Cuellar informou que seu gabinete acionou o órgão para exigir a libertação imediata da religiosa, o que ocorreu no dia seguinte, 29 de junho.
Igrejas deixam de ser ‘locais sensíveis’
A detenção acontece depois que o governo federal excluiu templos religiosos da lista de “locais sensíveis” – áreas onde as autoridades de imigração evitavam efetuar prisões. Tentativas de barrar a mudança na Justiça não prosperaram, permitindo que o ICE realize operações nas cercanias de igrejas e escolas.
Reação da Diocese
O bispo Daniel Flores, da Diocese de Brownsville, classificou como “extremamente perturbador” o uso de algemas em uma freira a caminho da missa e defendeu a revisão urgente dos protocolos de imigração. Líderes católicos relatam aumento do medo entre fiéis da região, com parte da comunidade preferindo acompanhar celebrações on-line para evitar possíveis abordagens.
Com informações de Gazeta do Povo