Os recentes ataques da Ucrânia a refinarias e instalações de energia russas deflagraram uma crise de abastecimento que já se faz sentir em todo o território da Rússia. Entre 23 e 29 de junho, o valor médio da gasolina nos postos subiu 1,7%, alcançando 72,38 rublos por litro (US$ 0,93 ou R$ 5,22), o maior avanço semanal registrado em pelo menos 20 anos.
Segundo a Bloomberg e a Associated Press, longas filas formam-se em várias regiões, onde postos passaram a limitar a venda de combustível. Em Irkutsk, na Sibéria, a prefeitura instalou banheiros químicos para os motoristas que esperam horas na fila.
A escassez ganha contornos incomuns para um dos maiores produtores de petróleo do planeta. Postos independentes já cobram mais de 100 rublos por litro, e há relatos de preços entre 120 e 140 rublos (R$ 8,09 a R$ 9,43) para gasolina e diesel.
Pressão constante
Levantamento da AP indica mais de 50 ataques ucranianos desde março contra refinarias, depósitos e terminais tanto no território russo quanto na Crimeia, anexada por Moscou em 2014. Algumas unidades foram alvo mais de uma vez, reduzindo a capacidade de refino do país.
Reação do Kremlin
O presidente Vladimir Putin reconheceu a existência de filas e a dificuldade para encontrar certos tipos de gasolina, classificando a situação como “temporária”. O governo restringiu exportações de gasolina e combustível de aviação e avalia limitar vendas externas de diesel. Moscou também considera importar derivados, medida rara para a Rússia. O porta-voz Dmitry Peskov afirmou que negociações estão em curso para estabilizar o mercado e conter compras motivadas pelo pânico.
Apesar das declarações oficiais, motoristas em várias regiões continuam relatando bombas vazias, prateleiras de preços remarcadas e racionamento que limita a quantidade de litros por veículo.
Com informações de Gazeta do Povo