Home / Internacional / Resposta lenta a terremotos aumenta desgaste do governo Delcy Rodríguez

Resposta lenta a terremotos aumenta desgaste do governo Delcy Rodríguez

ocrente 1782961455
Spread the love

Caracas — A atuação do governo interino de Delcy Rodríguez após os fortes terremotos que atingiram a Venezuela na semana passada vem sendo questionada por opositores, especialistas e parlamentares norte-americanos, elevando a pressão sobre o chavismo.

Oposição aponta demora e militarização

Em comunicado, o partido oposicionista Vontade Popular acusou o Palácio de Miraflores de iniciar as operações de busca e resgate apenas 48 horas depois do primeiro tremor, classificando a resposta como “tardia, opaca e burocrática”. A legenda também criticou a decisão de militarizar e restringir o acesso a La Guaira, região mais afetada, e afirmou que as Forças Armadas, convocadas a liderar emergências, “foram as grandes ausentes”.

O analista político Benigno Alarcón, citado em relatório divulgado pela agência Bloomberg, avaliou que emergências desse tipo podem recuperar ou corroer a legitimidade do governo. Segundo ele, no cenário que se concretizou, a “opacidade” amplia o custo social e a probabilidade de fraturas internas.

Críticas chegam dos Estados Unidos

Deputados republicanos nos Estados Unidos reforçaram as acusações. Carlos A. Gimenez escreveu na rede X que o “regime socialista” estaria politizando a distribuição de ajuda e “obstruindo os esforços de resgate”. Já Mario Díaz-Balart alertou que Washington acompanha a situação “bem de perto” e advertiu: “É melhor que não interfiram nem sabotem esses esforços de ajuda humanitária”.

María Corina Machado denuncia bloqueio aéreo

A líder opositora María Corina Machado, impedida de concorrer nas eleições de 2024, afirmou ter sido impedida de retornar ao país. Em vídeo divulgado na segunda-feira (29), ela disse que o espaço aéreo venezuelano foi fechado para barrar sua entrada. Autoridades da Casa Branca, citadas pelo The New York Times, teriam considerado o pedido de Machado para regressar “inoportuno” em meio à crise humanitária.

A volta da opositora coloca os Estados Unidos diante de um impasse. Em janeiro, tropas americanas capturaram o então ditador Nicolás Maduro em Caracas, mas o presidente Donald Trump recusou apoio a Machado e elogiou Rodríguez. O secretário de Estado Marco Rubio apresentou, no mesmo mês, um plano em três fases (estabilização, recuperação e eleições livres) para a Venezuela.

Especialistas veem exposição da fragilidade estatal

Para Ricardo Caichilo, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, a tragédia concentra a atenção no socorro imediato e pode adiar a disputa efetiva pelo poder, embora agrave o desgaste do chavismo. Já o tenente-coronel venezuelano reformado José Gustavo Arocha, radicado nos EUA, afirmou que o terremoto “apenas revelou” a inexistência de um sistema estatal de resposta. Ele destacou que vizinhos e voluntários chegaram antes do governo e que o socorro mais eficaz veio de cerca de 20 países, inclusive dos Estados Unidos.

Arocha alertou ainda para o risco de o regime usar “lógica de inimigo interno” para perseguir famílias afetadas e culpar estrangeiros. “Um governo que falha com seu povo no pior momento terá de responder por isso assim que a emergência passar”, concluiu.

Com informações de Gazeta do Povo