Brasília — A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que preside a Comissão de Direitos Humanos do Senado, utilizou a tribuna nesta quarta-feira (1º) para denunciar o que classificou como “violência política de gênero” contra mulheres de diferentes espectros ideológicos. A parlamentar citou o caso da petista Janaína Farias — alvo de declarações ofensivas de Ciro Gomes (PSDB) — para defender a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), envolvida recentemente em polêmica interna no Partido Liberal.
Ataque de Ciro a Janaína Farias
Damares relembrou episódio de 2024, quando Ciro Gomes, em entrevista ao jornal O Globo, chamou Janaína Farias de “assessora para assuntos de cama” do então governador cearense Camilo Santana (PT). A frase rendeu ao ex-governador condenação a pagamento de multa pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE).
Críticas a Michelle Bolsonaro
A senadora afirmou que, nesta semana, “mulheres de direita” passaram a ser alvo de ataques, citando Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama foi criticada após divulgar vídeo em que demonstrou desavença com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O comentarista Paulo Figueiredo, aliado de Flávio, acusou Michelle de adotar “discussão identitária” baseada em “ideologia marxista”. Na esteira da controvérsia, Michelle deixou a presidência do PL Mulher.
Damares relata ameaças
No mesmo pronunciamento, Damares disse estar sofrendo retaliações por apoiar Michelle. Segundo a senadora, circulam nas redes sociais rumores de que ela seria amante de um pastor, além de montagens com ameaças de morte dirigidas à filha indígena que adotou. “Eles simulam imagens de que estão empalando a minha filha, que estão me decapitando”, declarou.
Contexto político no Ceará
A crise surgiu no estado do Ceará, onde o PL local decidiu apoiar a candidatura de Ciro Gomes ao governo. Apesar da aliança regional, o ex-ministro de Lula mantém críticas públicas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Janaína Farias, por sua vez, obteve decisão favorável na Justiça Eleitoral pela fala de Ciro, fortalecendo o argumento de Damares sobre a necessidade de combater ofensas misóginas no debate político.
Com informações de Gazeta do Povo