A Polícia Federal (PF) vasculha cerca de 60 equipamentos eletrônicos e milhares de documentos apreendidos na Operação Compliance Zero. O material tem como principal alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e já indica a existência de uma estrutura criminosa que alcança integrantes dos Três Poderes.
Apreensões e achados
Mensagens, áudios e arquivos resgatados dos celulares de Vorcaro apontam fraudes bilionárias e esquemas de lavagem de dinheiro. Entre as descobertas, estão grupos paralelos apelidados de “A Turma” e “Os Meninos”, formados por policiais e hackers usados para monitorar opositores e intimidar críticos. A perícia também identificou pagamentos irregulares a servidores do Banco Central e do Banco Regional de Brasília (BRB) em troca de informações privilegiadas.
Delação recusada
A Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF rejeitaram duas propostas de delação apresentadas por Vorcaro. Segundo os investigadores, o ex-banqueiro não ofereceu dados inéditos: o conteúdo já havia sido obtido nas perícias, o que retirou relevância estratégica a um eventual acordo de colaboração.
Citações a Alexandre de Moraes
Não há investigação direta contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes ou sua família. No entanto, peritos localizaram uma minuta de contrato de R$ 50 milhões envolvendo o banco de Vorcaro, valor que coincide com outro contrato previamente firmado com o escritório de advocacia da esposa do ministro. Capturas de tela também mencionam conversas com Moraes. O escritório nega ter recebido qualquer quantia e o ministro refuta a existência dos diálogos.
Tramitação no STF
Os trabalhos periciais sofreram atraso no início de 2026, quando o então relator do caso, ministro Dias Toffoli, limitou o acesso às provas a apenas quatro peritos. O ritmo voltou ao normal após a relatoria ser transferida para o ministro André Mendonça, que redistribuiu o material entre diversas equipes da PF e descreveu o esquema como algo com “contornos de máfia”.
Próximos passos
Com mais de 100 dispositivos eletrônicos ainda sob análise, a expectativa é de que as perícias avancem ao longo de todo o ano de 2027. Os agentes se concentram na digitalização de milhares de documentos e no cruzamento de dados que possam revelar operadores do mercado financeiro beneficiados pela crise do Banco Master. Novas fases da Operação Compliance Zero estão previstas.
Com informações de Gazeta do Povo