Brasília – A Polícia Federal ainda não finalizou a análise de três telefones de Daniel Vorcaro e de cerca de 60 outros dispositivos recolhidos na Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes e lavagem de dinheiro ligadas ao Banco Master. Peritos estimam que, no ritmo atual, a perícia só deve ser concluída em 2027.
Volume de material trava investigações
Desde novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez ao tentar deixar o país, a PF contabiliza aproximadamente 100 aparelhos eletrônicos apreendidos com pelo menos vinte investigados. Somente o ex-banqueiro teve oito celulares confiscados em três ocasiões; cinco deles passaram parcialmente por exame, mas três ainda aguardam extração completa.
O primeiro aparelho, coletado em 17 de novembro, concentrou o maior número de conversas, contatos e arquivos que sustentam as suspeitas de fraude bilionária, lavagem de dinheiro e cooptação de agentes públicos. O conteúdo, protegido por criptografia, vem sendo recuperado com softwares forenses após a recusa de Vorcaro em fornecer senhas.
Rede de influência e suposta “máfia”
Conversas obtidas apontam para uma articulação que envolveria integrantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de familiares do ex-banqueiro. Grupos chamados internamente de “A Turma” e “Os Meninos” reuniriam policiais, ex-agentes de segurança, hackers e operadores que teriam monitorado desafetos e intimidado testemunhas. A defesa de Vorcaro nega as acusações.
Documentos físicos ampliam trabalho dos peritos
Além dos celulares, milhares de papéis – contratos, planilhas e anotações manuscritas – seguem sem digitalização completa. Parte passa por reconhecimento óptico de caracteres, mas a maioria depende de leitura humana, o que gera gargalos.
Delações rejeitadas
Com base no material já periciado, a PF e a Procuradoria-Geral da República recusaram duas propostas de delação premiada apresentadas por Vorcaro, alegando ausência de fatos novos.
Contrato de R$ 50 milhões em dúvida
Entre os documentos apreendidos, peritos encontraram minuta não assinada de contrato de R$ 50 milhões que coincidiria com saldo pendente de antigo acordo de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF. O escritório afirma não ter prestado serviços nem recebido valores; o ministro não se manifestou.
Obstáculos e reveses
Em 2026, o então relator do processo no Supremo, ministro Dias Toffoli, limitou o acesso ao material a quatro peritos, desacelerando a investigação. A situação foi revertida quando o caso passou para o ministro André Mendonça, que redistribuiu os dispositivos entre equipes da PF. No mesmo ano, um perito foi afastado por suspeita de vazar dados sigilosos.
Com perícias ainda em fase intermediária e previsões de novas operações, investigadores admitem que o Caso Master deve atravessar o calendário eleitoral de 2026 e seguir ativo até 2027.
Com informações de Gazeta do Povo