Brasília, 28 mai. 2026 – O ex-banqueiro Daniel Vorcaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de colaboração premiada que prevê a devolução de R$ 40 bilhões em um prazo de dez anos. Investigadores enxergam a iniciativa como tentativa de ganhar tempo para apontar eventuais nulidades processuais e, no futuro, suspender os pagamentos ou reaver valores já entregues.
Parcelamento sob suspeita
A defesa de Vorcaro sugere dividir o ressarcimento em parcelas anuais ao longo de uma década. Especialistas consultados pelos órgãos de investigação avaliam que o cronograma dilatado facilitaria manobras jurídicas durante a tramitação do caso no STF.
Polícia Federal rejeita acordo
Após analisar o material entregue, a Polícia Federal considerou o conteúdo “insuficiente”. Segundo relatório interno, as informações apresentadas pelo ex-banqueiro não acrescentam elementos novos às provas já colhidas em sete fases da Operação Compliance Zero, que incluiu quebras de sigilo bancário e perícias em celulares.
PGR quer valor maior e pagamento à vista
Diferentemente da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda admite negociar, mas condiciona o aval a duas exigências principais: aumento do ressarcimento para R$ 60 bilhões e quitação imediata, sem parcelamento.
Tensão com o relator André Mendonça
O ministro André Mendonça, relator do processo no STF, cobra do investigado uma delação ampla, sem blindagem a políticos. Após declarações do antigo advogado de Vorcaro sobre levar o acordo diretamente à Segunda Turma da Corte, Mendonça encerrou conversas reservadas com a defesa.
Prisão de familiares amplia pressão
O cenário se agravou com as prisões do pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, de um cunhado e de um primo. Na semana passada, o STF manteve o pai e o primo detidos, fator que, segundo analistas, força o ex-banqueiro a fornecer provas mais contundentes para tentar libertá-los.
Enquanto PF, PGR e STF avaliam os próximos passos, Vorcaro permanece à espera de uma definição que pode manter ou encerrar as tratativas da delação premiada.
Com informações de Gazeta do Povo