Brasília – Preso em duas ocasiões pela Operação Compliance Zero, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro busca esticar o cronograma de ressarcimento de cerca de R$ 40 bilhões proposto em sua delação premiada, enquanto conta com eventual decisão favorável do Supremo Tribunal Federal (STF) para aliviar sua situação.
Prazo de dez anos irrita Polícia Federal
A proposta inicial entregue pela defesa previa a devolução do montante em dez anos. Investigadores da Polícia Federal (PF) interpretaram o período como manobra para, no decorrer do processo, tentar anular etapas da investigação e, assim, suspender ou até reaver valores já pagos. O órgão rejeitou a delação sob o argumento de que o conteúdo era superficial e trazia poucas informações inéditas.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisa o material e sinalizou que só avançará se o acordo for reforçado: exige ressarcimento imediato e valor elevado para pelo menos R$ 60 bilhões.
Troca de advogados após atrito no Supremo
Em meio às negociações, Vorcaro desfez o contrato com o criminalista José Luiz Oliveira Lima, o Juca, na sexta-feira (22). Fontes ligadas ao caso relatam que o advogado teve desentendimento com o relator no STF, ministro André Mendonça. Juca teria sugerido recorrer à Segunda Turma da Corte caso Mendonça negasse a delação, o que foi entendido como pressão.
Sem o antigo defensor, Vorcaro mantém provisoriamente o advogado Sérgio Leonardo e procura novo representante; o nome de Daniel Bialski é cogitado por ter bom trânsito entre ministros.
Família na mira e pressão crescente
A tensão aumentou após a prisão do pai de Vorcaro, Henrique, do cunhado Fabiano Zettel e do primo Felipe Vorcaro. Na semana passada, a Segunda Turma do STF manteve o pai e o primo detidos, intensificando a pressão para que o ex-banqueiro apresente colaboração considerada efetiva por PF e PGR.
Condições de custódia variam
No início de maio, Mendonça transferiu Vorcaro de uma sala de Estado-Maior para cela comum na Superintendência da PF em Brasília. Depois da saída de Juca, o ministro autorizou o retorno do investigado à acomodação especial, gesto visto por interlocutores como sinal de que o diálogo não está interrompido.
Conteúdo considerado insuficiente
A PF avalia que os anexos entregues em maio, após sucessivos adiamentos, pouco acrescentam ao que já foi obtido por quebras de sigilo, apreensões e perícias em celulares. Mesmo que a PGR se manifeste a favor, a homologação final depende de Mendonça; em caso de recusa, a defesa poderá levar o tema ao colegiado da Segunda Turma ou apresentar nova proposta.
Enquanto tenta renegociar valores e prazos, Vorcaro aposta que um eventual reconhecimento de nulidades processuais pelo STF possa reduzir danos patrimoniais e penais. Por ora, porém, a colaboração permanece sem aval definitivo dos órgãos de investigação.
Com informações de Gazeta do Povo